Veterano, Fabiano Eller tem experiências inéditas no Náutico
Aos 37 anos, o zagueiro Fabiano Eller tem em sua galeria de títulos conquistas dos quilates de Taça Libertadores e Mundial de Clubes. Após rodar por clubes de menor expressão, o experiente defensor foi contratado pelo Náutico e viu no time pernambucano a chance de viver coisas novas, mesmo após quase 20 anos de carreira como jogador profissional.
Quando Eller marcou um gol sobre o Palmeiras com a camisa do Red Bull, muitos recordaram daquele zagueiro do Internacional que conquistou várias glórias. Eller estava sumido dos holofotes defendendo São José-RS, Audax Rio e por último Red Bull Brasil. No entanto, o bom futebol demonstrado no Estadual abriu as portas de um clube tradicional do futebol brasileiro. A diretoria alvirrubra buscou em Fabiano Eller a experiência que precisava inserir na defesa da equipe.
A aposta da diretoria tem dado certo neste início de Campeonato Brasileiro Série B. Apesar de ter conhecido a primeira derrota neste fim de semana, o Náutico é o vice-líder do campeonato e tem a segunda melhor defesa com quatro gols sofridos em sete jogos.
Após 15 clubes na carreira, incluindo futebol brasileiro, europeu e do Oriente Médio, Fabiano Eller se deparou com experiências inéditas nas primeiras semanas com a camisa do Náutico. O calor do Nordeste quase fez o zagueiro desistir. O café da manhã nordestino é outra particularidade que chamou atenção do jogador, que curte sua fase no clube pernambucano e ainda não pensa em pendurar as chuteiras.
Confira a entrevista com o zagueiro do Náutico:
Terra: Você jogou o Paulista no Red Bull e agora assinou com o Náutico. Como é voltar para um clube de expressão como é o Náutico?
Fabiano Eller:
Para falar a verdade eu não esperava jogar mais por um clube de expressão como o Náutico, com torcida, passagem pela
Série A, com história. Estava no Red Bull e antes tinha trabalhado no Audax com a mesma diretoria, estava em um projeto. Não sabia da projeção que um clube como o Red Bull poderia dar, o Náutico estava acompanhando e isso é legal, os clubes estarem acompanhando tudo. Para mim foi interessante, estou feliz para caramba de ver que meu trabalho está sendo reconhecido novamente. Cheguei aqui e joguei sete partidas, estou conseguindo fazer um bom trabalho. Apesar da idade, estou podendo ajudar a equipe e render em alto nível.
Terra: Aos 37 anos, você está jogando pela primeira vez na Série B e também pela primeira vez no Nordeste. Como está sendo essas novas experiências em sua carreira?
Fabiano Eller:
Está sendo maravilhoso, ainda mais com o bom início da equipe. Tem uma história até engraçada, porque a expectativa era ficar no Red Bull, saí de férias, fiquei 20 dias parado e o condicionamento do jogador é perdido muito rápido, mas também se ganha muito rápido. No primeiro dia de clube, no
Náutico, fiz um teste físico com complemento depois, só que estava muito calor. Eu tinha perdido meu condicionamento, me perguntei o que estava fazendo no futebol ainda, quase desisti por causa do calor (risos). Estou muito satisfeito com o clube, é muito acolhedor e tem ambição de subir. Caí no time certo. É a primeira vez que disputo a Série B, sei que é muito puxada, com jogos um em cima do outro e com muitos clubes brigando pelo acesso.
Terra: Tem dado certo a estratégia de mesclar os jovens do Náutico com a experiência de jogadores como você, Júlio César, William Magrão?
Fabiano Eller:
Os clubes têm feito isso no futebol brasileiro, colocado alguns jogadores com experiência para dar suporte aos meninos que estão começando agora. São vários fatores, não estou falando só do Náutico, pela dificuldade financeira, por não poder contratar 25 jogadores com altos salários e a necessidade de revelar jogadores, colocam os garotos da base. Os jogadores mais rodados são importantes para dar esse suporte para a molecada. Essa mescla é fundamental.
Terra: O Náutico começou muito bem a Série B. Existe um caminho para manter um desempenho satisfatório que leve o clube à Série A ao fim do campeonato?
Fabiano Eller:
O caminho é não se empolgar. Ter os pés no chão, humildade, sabemos que apesar de nosso time estar na frente sabemos reconhecer que existem outros clubes com potencial, isso é importante. O
Botafogovai brigar pelo acesso e pelo título, o
Cearátambém vai crescer, o
América-MG, entre outros. O que fazemos é planejar cada jogo. No começo da competição conseguimos tirar pontos de clubes que vão brigar pelo acesso e isso foi muito bom. É manter os pés no chão, sem achar que está excelente, que não precisa melhorar.
Terra: Você é um jogador que possui vários títulos. É uma ambição ganhar uma Série B? Qual é a ambição de um jogador de 37 anos?
Fabiano Eller:
Eu nunca pensei em ganhar um
Brasileiro Série Bpara aumentar meu currículo. Acho que enquanto estiver jogando preciso mostrar resultado. Eu sempre quero fazer história dentro do clube, ser lembrado por ter feito a diferença, tenho prazer em jogar futebol e não quero ter minha história manchada no fim de carreira. Aí é que a responsabilidade aumenta. E o legal nesses quatro últimos anos da minha carreira é que tem feito muita diferença. Fui indicado para a seleção do
Campeonato Gaúcho, do Carioca pelo Audax, ajudei o Red Bull no acesso. Quando terminar não quero ter minha carreira manchada, quero fazer história no Náutico e ser lembrado quando vier fazer uma visita. Estou feliz, mas vou ficar mais feliz ainda se atingir o objetivo do clube no fim do ano.
Terra: Por enquanto nem pensar em colocar ponto final na carreira de jogador?
Fabiano Eller:
Toda vez que penso em poder parar aparece uma proposta para mim. Se vem proposta é porque estou conseguindo render. No futebol o pessoal tenta errar muito pouco nas contratações, todo mundo contrata pelo momento que ele está vivendo. Quando vim para o Náutico é porque viram o
Campeonato Paulistaque estava fazendo. Antigamente planejava uma data, mas agora ficou planejando a cada seis meses, fico observando se estou rendendo bem, dando resultado pelo clube. Não adianta ficar jogando, mas capengando, por enquanto estou conseguindo jogar. Enquanto conseguir marcar os atacantes vou continuar jogando, é que gosto de fazer.
Terra: Além do calor tem alguma coisa que está difícil de adaptar em Recife?
Fabiano Eller:
Até agora não tem nada que possa reclamar, além do calor. Mas até que agora deu uma diminuída, na parte da manhã é quando a temperatura fica mais elevada. Eu acho algumas coisas estranhas, o café da manhã é praticamente um almoço, eu acho estranho, não consigo. Acho engraçado, eles colocam banana cozida, inhame, carne seca, cuscuz, mas é a tradição deles, vem desde a infância. Acho muito engraçado. Brinco com eles, imagina se eu comesse isso desde os dez anos? Iria jogar até os 50! Ainda bem que não comi, que daí eu paro para dar lugar para os mais jovens.