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Artista cria escudos e camisas de times do Brasil versão EUA

15 mai 2015 17h54
| atualizado às 17h54
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Os escudos dos principais times do Brasil, maior representação das marcas dos clubes do País, em alguns casos, sequer podem mudar de cor para combinar com um terceiro uniforme especial. Mudar de desenho, então? Nem pensar!

Sem as restrições estatutárias e em um exercício de criatividade, o designer mineiro Samir Taiar pegou os “logos” de 12 equipes do Brasil e repaginou-os completamente. Utilizando a tradição americana de nomeação de times, o artista pegou utilizou a cidades-sedes e as mascotes de cada um deles, com os nomes em inglês, e rebatizou Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco.

Todo esse brainstorm partiu do seguinte pensamento: e se os times brasileiros fossem americanos? O resultado você pode acompanhar na galeria a seguir, que conta com os doze desenhos elaborados por Samir. A uniformidade é um fator que se destaca no trabalho, já que os escudos “modernizados” têm semelhanças nos traços.

O Terra entrou em contato com o artista para saber o que o levou a realizar o projeto. A ascensão da Major League Soccer (MLS) como uma liga relevante no âmbito internacional foi apontada como um dos motivos do experimento, que repercutiu nas redes sociais e ganhou evidência na internet.

Terra - A MLS foi a foi sua maior inspiração ou outras ligas também influenciaram?
Samir Taiar - Eu diria que fui influenciado por todas as ligas. Na verdade, pelo estilo gráfico mesmo. Diariamente acompanho trabalhos de designers do mundo todo, e sempre tive esta vontade de me desafiar criando algo neste estilo dos logos das equipes americanas.

Terra - Você acompanha esportes americanos em geral ou é mais a parte artística que te atraiu para aplicar esses conceitos aos clubes brasileiros?
Samir Taiar - O que me atrai mais são as inúmeras possibilidades interessantes de criação que esse estilo proporciona, mas ficando atento aos esportes americanos, o crescimento da MLS, atraindo grandes craques. Hoje temos até clubes na MLS cujos proprietários são brasileiros. Tudo isso me chama bastante a atenção.

Terra - Você acompanhou a reformulação da marca da MLS? Como alguém do meio do design, o que você achou do novo escudo da MLS, mais "limpo" do que o anterior?
Samir Taiar - Acompanhei sim, e percebi a preocupação em criar uma versão mais minimalista, adaptável e globalmente mais integrada. Apesar de compreender os motivos, lamento um pouco, porque não deixa de ser uma renúncia a um estilo muito marcante e tradicional. Penso que poderiam encontrar uma solução que equilibrasse melhor estas variáveis

Terra - Você acredita que os clubes brasileiros têm algo a aprender com os esportes americanos em relação à forma que eles tratam a apresentação das marcas?
Samir Taiar - Esta mudança dos logotipos dos clubes diz muita coisa. A MLS é um produto integrado no sistema de franquias, com organização e objetivos capitalistas. Acredito que todas essas mudanças foram feitas com objetivo de apresentar um produto integrado. Esta é uma lição para o futebol brasileiro, no qual a paixão e o clubismo tornam-se irresponsáveis, e todos agem contra todos, mas o futebol brasileiro como todo se enfraquece. No Brasil, vejo que os clubes poderiam se apropriar da paixão que o futebol desperta, para lucrar muito mais fora das quatro linhas. Eu, que sou atleticano, me sinto motivado a criar os conceitos de produtos que gostaria de ver nas lojas e consumir. Mas a própria visão do Kalil, nosso ex-presidente, resume muito. Apesar de ser fã do Kalil, não posso concordar com a afirmação de marketing esportivo é "bola na casinha".

Essa mudança das marcas da MLS cumpre o objetivo de entregar um produto mais integrado e padronizado. Mas acho que se perde muito. Os escudos, as mascotes, toda essa apresentação visual, cativa torcedores e apresenta muita informação lúdica e subjetiva que permite a identificação dos torcedores. Acho que eles (da MLS) poderiam encontrar uma solução que equilibrasse elementos comuns a todos os escudos, aliados a simplificação das marcas antigas. A ruptura foi muito grande.

Terra - Que produtos você acha que os clubes poderiam vender que não existem por causa do marketing limitado?
Samir Taiar - Bom, para começar do básico, podemos falar de camisetas. As pessoas cada vez mais vestem discursos, e se expressam através das roupas. Os times criam ano após ano, histórias épicas, memórias eternas. Um folclore muito forte. Tudo isso poderia ser transcrito por designers e artistas em produtos. De camisetas a histórias em quadrinhos, aplicativos, jogos, podcasts, vídeos, mobília. Mercados muito lucrativos que praticamente dispensam investimento de publicidade. Quer argumento de venda maior que a paixão do torcedor?

Terra - Sem dúvida! Agora, que tipo de camisetas você se refere?
Samir Taiar - Eu particularmente não sou tão a favor desta diversificação das camisas de jogo. Sou bem purista neste aspecto, e acho que alguns elementos são a pedra fundamental e precisam ser respeitados para não descaracterizar a história. Penso em camisetas que possam explorar os mais diversos estilos gráficos. No caso de um tema mais bem humorado, criações alegres, ou criações mais clássicas para honrar a história dos times. Tudo isso adaptável para quadros, pôsteres, capa de celular, case de notebook. Aqui em Belo Horizonte tem uma loja que foi além, e criou roupas sociais licenciadas com motivos dos clubes, para que os torcedores pudessem levar a paixão para o mundo corporativo.

 

Fonte: Terra
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