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Corinthians ainda não recebeu prêmio de R$ 5,2 milhões da Supercopa e Caixa avalia bloqueio

Valor está parado no banco após liquidação dos fundos da Reag, responsável pelos repasses, e clube ainda não sabe se metade do dinheiro vai ficar com a estatal para honrar financiamento da Arena

20 fev 2026 - 09h10
(atualizado às 09h29)
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Corinthians ainda não recebeu premiação da Supercopa Rei, conquistada em 1º de fevereiro.
Corinthians ainda não recebeu premiação da Supercopa Rei, conquistada em 1º de fevereiro.
Foto: Wilton Júnior/Estadão / Estadão

O Corinthians ainda não recebeu a premiação em dinheiro pelo título da Supercopa Rei e também não sabe se receberá o valor de maneira integral. O clube garantiu US$ 1 milhão (R$ 5,2 mi) com a conquista, alcançada após vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, em Brasília, no dia 1º de janeiro. Contudo, a quantia está sob análise da Caixa Econômica Federal, que tem a prerrogativa de bloquear fatia significativa do montante com base no acordo firmado entre as partes na renegociação da dívida pelo financiamento da Arena em Itaquera. Os outros R$ 6,35 milhões pela presença na final não ficam sob gerência do banco.

O acordo entre Corinthians e Caixa, firmado em 2022, prevê que o banco detenha 50% de todas as premiações do clube em competições oficiais. Os valores são direcionados a uma "conta reserva", fundo estabelecido que somente a estatal pode movimentar, apesar de a titularidade ser do clube.

O mecanismo visa garantir o pagamento das obrigações do Corinthians caso outras fontes de receita falhem. É exigido que a conta acumule recursos equivalentes a quatro parcelas trimestrais de amortização do principal e juros. A alimentação desta reserva ocorre prioritariamente por meio de 50% dos recebíveis de premiações e 30% dos valores brutos de venda ou transferência de atletas do futebol masculino.

Na época em que o acordo foi firmado, a Reag foi definida como a responsável por gerir o Fundo Arena, cujo objetivo era garantir o repasse dos valores arrecadados para a Caixa. A gestora financeira entrou na mira da Polícia Federal (PF) por suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas com o objetivo de blindar o patrimônio de grupos criminosos, o que a empresa nega.

Após o caso vir à tona, o Corinthians deu início a tratativas para trocar a responsável pela administração da Arena. Em 15 de janeiro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Reag após nova operação da PF. O Estadão apurou com fontes do clube que, por causa da intervenção do BC, há uma dificuldade na análise dos números ligados à conta reserva.

A reportagem entrou em contato com a Caixa, mas o banco estatal informou que "não se manifesta sobre operações de crédito celebradas com clientes, em razão do sigilo bancário previsto na LC 105/2001?. Nos bastidores, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, é quem tem sido o responsável pelas conversas com a estatal, em tratativas diretas com o presidente Carlos Antônio Vieira Fernandes.

A dívida total do Corinthians atualmente é de R$ 2,8 bilhões e a diretoria vem concentrando esforços para enxugar gastos e honrar compromissos a curto prazo, como a folha salarial do elenco principal. Cada centavo que entra nos cofres do clube é considerado importante para manter o fluxo de caixa.

Para assegurar o pagamento à Caixa, foram constituídas garantias que abrangem desde participações acionárias até ativos imobiliários, incluindo a alienação fiduciária da sede social do Corinthians e do imóvel do Parque São Jorge, localizado no Tatuapé, na zona leste de São Paulo.

O acordo também prevê que outras decisões institucionais devem passar pelo crivo do banco e detalha a porcentagem a que a estatal tem direito em relação às receitas do clube. O fluxo de caixa vinculado inclui ainda o repasse escalonado da bilheteria do estádio, fixado em 50% até 2024 e elevado para 55% entre 2025 e 2027, somado à integralidade (100%) das receitas de naming rights e dos direitos de transmissão.

Corinthians e a Caixa estão fazendo estudos conjuntos desde o fim de 2025 para entender se é possível levar adiante a ideia de quitar a dívida de R$ 653,1 milhões que o clube mantém com o banco por meio da negociação de naming rights. Juntos, pediram um valuation — processo que determina o valor financeiro de uma empresa, ativo ou investimento — tanto do estádio quanto dos naming rights, que hoje pertencem à Neo Química, marca da Hypera Pharma.

Estadão
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