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Alvo de comoção, Mauro Beting relata espanto e fala sobre seu futuro

2 ago 2013 - 14h55
(atualizado às 15h41)
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No último ano, Mauro recebeu homenagem do Santos - e de Neymar - pela morte de seu pai, Joelmir
No último ano, Mauro recebeu homenagem do Santos - e de Neymar - pela morte de seu pai, Joelmir
Foto: Guilherme Dionízio / Gazeta Press

A quatro meses de completar uma década como principal comentarista da Rádio Bandeirantes, Mauro Beting foi comunicado sobre sua demissão no fim da tarde de quinta-feira. Comunicou a seus seguidores nas redes sociais e, de maneira instantânea, deu início a uma grande comoção. Muitos fãs se indignaram por conta da decisão que tirou do ar o comentarista esportivo mais premiado do rádio nos últimos dez anos. A expressão "Mauro Beting" se tornou a quinta mais citada do Twitter minutos depois. 

Mauro saiu do ar, perdeu o ar e também o chão. Confessa, perdeu o sono também. Foi uma noite difícil para juntar os olhos e ele amanheceu com insônia para levar os filhos ao colégio. Luca e Gabriel, relata, estavam orgulhosos pela demissão do pai e por toda a comoção criada. Enquanto concedia entrevista ao Terra por telefone, o comentarista caminhava em um shopping e era saudado por alguns fãs, como este que escreve.

A repercussão transformou o jornalista em notícia, o que é raro, e trouxe reflexos. Companheiro de microfone na Rádio Bandeirantes, Neto colocou o cargo à disposição. No ar, para que Mauro Beting fosse readmitido, já que o motivo para a demissão foi corte de despesas e ele, ex-jogador, foi mantido. Os dois seguem colegas de trabalho na TV Bandeirantes e o no canal fechado Bandsports

Abaixo, confira o papo com Mauro Beting. Ele fala sobre o espanto pela notícia ruim, fala sobre Neto, Mílton Neves, sobre Joelmir Beting e sobre propostas que já recebeu. Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Qual foi a reação pela notícia ruim? Você esperava ou ficou espantado?

Mauro Beting - Foi surpresa. Mas minutos antes de eu falar na direção da rádio, soube que o Walker Blaz, a voz da Rádio Bandeirantes, tinha sido demitido. Eu perdi a voz, assim como a rádio perdeu a sua. Eu perdi a minha minutos antes e falei comigo, 'meu Deus, devo estar fora'. Quando cheguei (à reunião), infelizmente estava fora. 

Terra - E como você recebeu?

Mauro - Confesso que entendi, como entendo e respeito. Mas falei 'caramba, acho que isso nunca aconteceu, de um comentarista em um bom momento, em uma grande rádio, ser cortado por isso'. Lamento por mim, pela profissão, por tudo. Fiquei mesmo muito emocionado, tocado pela reação de colegas, diretores, pela relação que tenho, pelo meu pai, que é de 40 anos. 

Terra - Essa relação com a rádio, que vai além do profissional, torna essa demissão ainda mais dolorosa?

Mauro - Eu não esperava. Entendo as razões. Cortaram mais que um nome, cortaram números. Mais que isso, sou alguém que é Bandeirantes. Sem ser piegas, mas conheço poucas pessoas que gostam tanto, por dentro e por fora, da rádio como eu.

Terra - Como tem absorvido tudo isso?

Mauro - Estou ouvindo a rádio desde então, mas não caiu essa ficha ainda. Já me peguei duas vezes pensando que entraria no ar. Eu continuo no ar, mas perdi o chão. Mas jamais o carinho, a paixão, e fui o comentarista mais premiado da história da rádio. Nessa condição acho lamentável. Mas advogando em causa própria, tenho razões para isso. É o melhor ambiente que já trabalhei. 

Terra - Você provocou uma tremenda comoção nas redes sociais. Isso te confortou de alguma maneira?

Mauro - Tentei falar sobre isso aos meus filhos pela manhã. São duas situações: uma que dói, que não dá para pagar todas as contas. E uma maravilhosa. A fama é bacana, mas há uma diferença entre a felicidade e a fama. Queria mesmo é no domingo estar em Criciúma x Corinthians e não estar entre cinco trending topics por minha saída. Recebi carinho de pessoas que nem sabia quem era. É um negócio reconfortante. Mas para a rádio, ser trending topic pela saída de um cara...que nunca foi o melhor da rádio, mas foi trending topic por uma demissão. 

Terra - O Mílton Neves, que é seu grande parceiro de jornadas esportivas, se manifestou de que maneira?

Mauro - Todas pessoas da rádio me procuraram. E principalmente o Milton, é um dos que mais me ligaram. Foram umas 17 vezes, entre ligações, recados, tuitadas. Eu imaginava o carinho que ele tem por mim, e tem sido o cara que sempre foi, maravilhoso. Não só ele. O (José) Silvério, o (Sergio) Patrick, meu irmão mais novo, o (Estevam) Ciccone, todos absolutamente maravilhosos. 

Terra - Muita gente sugeriu que houve uma escolha entre você e o Neto, outro comentarista. Houve isso?

Mauro - O Milton, o Silvério, são ídolos, são amigos, e absolutamente nada têm a ver com o que aconteceu, brigaram para que não acontecesse. Que era o Neto ou eu, é exatamente o contrário. Todos, inclusive ele, fizeram de tudo para reconfortar, tudo de possível e maravilhoso, para que essa sensação melhore. Entre tantas pessoas carinhosas. Não quero que fique essa coisa sobre o Neto. 

Terra - No ano passado, você noticiou no ar a morte de seu pai, Joelmir Beting. Há uma relação familiar muito forte. Isso traz outro componente para essa demissão, concorda?

Mauro - Eu vejo pela cara da minha mãe. Não é porque eu saí da rádio, mas ela sabe o que representa, sabe a paixão do rádio. A paixão que a gente tem por essa rádio é uma coisa muito grande. Já fui demitido outras vezes, vou ser outras, e espero que nem tantas (risos). Eu trabalho em muitos lugares e acaba sendo mais fácil. Dói muito. 

Também foi demitida a Adriana Cury, que foi minha aluna, filha de locutor de rádio, do Muíbo Cury. Ela estava havia 19 anos, e entrou nesse corte de números, mais que nomes. Quando ela contou para a mãe, houve uma reação parecida com a da minha mãe. Fomos demitidos do nosso próprio lar. Ela nasceu e o Muíbo Cury estava no ar. É uma herança genética. Eu tenho o estofo de outros empregos, do que foi deixado pelo meu pai, visto uma camisa com o crachá dentro do peito. 

Terra - Em suas manifestações, você tem insistido que poderá retornar em breve. Há de fato essa possibilidade?

Mauro - Acho que nunca fui demitido, e tenho uma vontade enorme minha, e por eles, de ser readmitido. Duas rádios já manifestaram oficialmente o interesse e nesse aspecto fico também muito feliz. Sem fazer leilão. É um reconhecimento mais pessoal que profissional. Ouvi até críticas, 'é um chato', e claro que eu não era unanimidade, mas não esperava esse carinho monstruoso. 

Terra - Várias empresas de mídia passam por esse momento de dificuldade. Que análise você faz disso, do momento da profissão jornalista, de uma maneira global?

Mauro - A gente deveria ter se tocado no fim do diploma, e não vou ser catastrófico em falar sobre o fim da profissão do jornalista. É a história de que "não é por 20 centavos". Precisamos repensar. As manifestações, as demissões, são verticais. A gente sabe que está ruim, que é tanta coisa que é feita, desfeita, estamos perdidos, e nossos chefes estão. Nós entendemos. Espero que a gente consiga sobreviver, de um modo ou de outro, e sobreviver "jornalistando". Que a gente seja nosso trabalho.

Fonte: Terra
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