Abel, Ederson, Chapecoense: a solidariedade no futebol
Num jogo em que a bola está à parte e o que vale é o que se faz fora de campo, exemplos recentes de solidariedade têm alterado a rotina do futebol brasileiro. Depois das inúmeras manifestações à Chapecoense e às vítimas do acidente aéreo de novembro do ano passado, outros casos vêm demonstrando que o universo do esporte mais popular do País resiste à contaminação da violência que insiste em envolver torcidas e bandeiras de todas as cores.
Difícil saber, por exemplo, quem não se emocionou ao ver a reação dos torcedores do Sport aplaudindo de pé o técnico do time adversário, Abel Braga, do Fluminense, minutos antes departida disputada na quarta-feira passada, em Recife.
As cenas também foram fortes no sábado, quando 27 mil pessoas ovacionaram Abel no Maracanã, chamando-o de guerreiro. A homenagem dos torced
ores do Fluminense levou às lágrimas o técnico e muita gente que assistia a tudo pela TV.
Abel perdeu um filho adolescente na madrugada do domingo retrasado. O rapaz, a princípio, caiu da janela do apartamento da família, na zona sul do Rio. Mesmo diante de tanta dor e sofrimento, o técnico fez questão de manter as atividades para passar instruções aos atletas.
A caridade também estendeu as mãos para o meia Ederson, do Flamengo. No final de julho, ele convocou uma entrevista coletiva para revelar um câncer nos testículos. Quase que instantaneamente surgiu uma corrente enorme de apoio ao jogador, não só de torcedores do Flamengo, como de vários times, entre os quais Santos, Ponte Preta, Paysandu, Juventude. Além disso, jogadores de outras equipes lhe mandaram mensagens e até gravaram vídeos para o encorajar.
A doença de Ederson foi capaz também de unir o Flamengo ao seu maior rival no Rio. Em seu perfil numa rede social, o Vasco deixou a seguinte mensagem. “Estamos contigo nessa batalha, Ederson. O Vasco da Gama e toda sua apaixonada torcida te desejam uma boa recuperação.”
Ainda em julho, um outro drama veio a público e também provocou uma onda de solidariedade no futebol nacional. O menino Assael Guerra, de 3 anos, filho do meia Alejandro Guerra, do Palmeiras, se afogou na piscina de casa e ficou internado em estado grave por vários dias. Período em que o jogador do time paulista recebeu incontáveis manifestações de carinho de todos os lados.
Assim como no exemplo de Fla e Vasco, o Corinthians também decidiu abraçar o rival, com mensagem postada em rede social: “Estamos juntos neste momento difícil. Que a criança se recupere o mais rápido possível .” O menino recebeu alta dias depois.
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