Entre o calor e a paixão pelo tênis: brasileiros inflamam as arquibancadas em Roland-Garros
Com temperaturas excepcionalmente altas em Paris, o público tem lotado o complexo de Roland-Garros, na zona oeste da capital francesa, onde são disputados esta semana os torneios de simples e de duplas do Grand Slam francês no saibro. Sob sol forte, os torcedores enfrentam o calor para acompanhar de perto os jogos e também para apoiar os brasileiros na competição.
Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros
"Está difícil, mesmo para um carioca está muito difícil, porque a maioria das quadras externas ficam no sol o dia todo e tem uma hora que o carisma acaba", relatou à RFI a torcedora Júlia Febraro.
Se nas arquibancadas o calor impõe desafios, dentro de quadra as condições também influenciam diretamente o jogo. O carioca Fernando Romboli, número 73 do ranking da ATP de duplas, foi um dos afetados. Ele perdeu na estreia ao lado do australiano John-Patrick Smith, por dois sets a um.
"Está fazendo esse calor aqui em Paris já há uns cinco ou seis dias, então as condições a gente já estava acostumado. A bola quica mais por causa do calor, porque ela fica mais dura. Quando há umidade, mais frio, a bola fica mais macia, então ela anda menos, pica menos na quadra e o jogo fica mais lento", explicou o tenista.
Além de Romboli, outros três brasileiros entraram em quadra, na quarta-feira (27) pelo torneio de duplas. A única a avançar para a próxima fase foi a paulista Luisa Stefani. Aos 28 anos, número 9 do ranking de duplas da WTA, ela estreou com vitória ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, número 4 do mundo na modalidade. A dupla chegou embalada pelo título do WTA 500 de Estrasburgo, conquistado na semana passada, e confirmou o bom momento em Paris, com triunfo em sets diretos, por 6/2 e 6/3, contra a holandesa Isabelle Haverlag e a britânica Maia Lumsden.
"Estou super feliz de estar de volta. Sempre vejo como uma linda oportunidade estar de volta em um Grand Slam, é onde a gente quer ter as nossas melhores semanas. E estou feliz com a estreia também", disse. "Está bem calor e as condições estão mais rápidas, diferente de Estrasburgo. A gente vem de um título lá, então acho que é continuar com as mesmas intenções, melhorando, usando essa confiança, mas sentindo o jogo. Hoje elas acabaram dando muitos pontos de graça, a gente manteve a pressão do começo ao fim, sabendo que impondo o nosso jogo elas teriam que jogar bem, mas a gente fez um jogo bem firme", analisou Stefani.
"Frustração" nas duplas masculinas
Já os gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos, que estrearam como cabeças de chave número 16, foram eliminados na primeira rodada. Eles foram superados pela dupla formada pelo americano Evan King e o sueco Andre Goransson, em dois sets. Os brasileiros chegaram a sair na frente, mas viram os adversários levarem o primeiro set ao tiebreak e dominar o restante da partida.
Após a derrota, Orlando Luz lamentou o resultado e destacou a expectativa da dupla em torneios desse nível.
"Não tem como entrar num torneio sem expectativa. A gente queria fazer um bom torneio, uma boa semana, como todos os outros. A gente fez quartas de final na Austrália, ano passado eu tinha feito quartas aqui, o Rafa fez quartas em Wimbledon. Em Grand Slam a gente sempre imagina chegar na segunda semana, é o objetivo. Então fica um pouco a frustração", disse à RFI.
Rafael Matos volta à quadra nesta quinta-feira (28) para a disputa de duplas mistas, ao lado da espanhola Cristina Bucsa. O tenista ressaltou a importância de virar a página após a eliminação.
"Melhor de três tem que ganhar dois sets, perder o primeiro vai acontecer muitas vezes, hoje a gente deixou cair nesse início e eles aproveitaram, fizeram a quebra e mantiveram até o final", avaliou. "Agora vamos esquecer hoje e amanhã é um novo dia, uma nova competição. Assim é o tênis, uma nova semana, jogo a jogo", afirmou.
João Fonseca enfrenta Djokovic
A grande expectativa do Brasil em Roland-Garros segue sendo o carioca João Fonseca. Na quarta-feira, ele venceu de virada o croata Dino Prizmic, número 72 do ranking da ATP de simples. O brasileiro vai enfrentar, pela primeira vez, o sérvio Novak Djokovic, na sexta-feira (29), pela terceira rodada do torneio.
"Vai ser duro. Quero aproveitar essa experiência, mas chegar à terceira rodada já é um sonho. Eu o respeito, mas farei o máximo para vencer".
Fora das quadras, o jovem tenista mobiliza torcedores.
"Fomos buscar, brasileiro é guerreiro. Estamos aqui no sol, mais de 5 horas em pé, mas o João mereceu muito", disse Gabriel Batista, médico de passagem por Paris.
Uma família que veio de São Paulo acompanhou de perto um treino do brasileiro e comemorou o contato com o jogador.
"Muito quente, mas muito legal. Muitos jogos importantes. Acabamos de ver o João Fonseca treinando com as crianças e eles ficaram muito felizes de vê-lo. Ele autografou a bola, e hoje até os pais viraram crianças", contou um dos integrantes.
O entusiasmo se repete entre brasileiros que vivem em Paris. Para Bernardo, professor carioca radicado na capital francesa, o apoio das arquibancadas pode ser um diferencial.
"Eu acho que ele tem carisma, ele é do Rio, a gente também, isso conta. E o estilo de jogo dele: tem um saque e uma direita impressionantes. A energia que ele passa é muito legal", avaliou.
Com o respaldo da torcida e em meio a condições desafiadoras, João Fonseca tenta avançar no torneio e confirmar o bom momento do tênis brasileiro em Roland-Garros.
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