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Documentário sobre Chico Landi resgata legado do pioneiro do automobilismo brasileiro

Produção está prevista para ser lançada em novembro

5 jun 2026 - 14h23
(atualizado às 14h39)
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Antes de nomes consagrados como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, o Brasil já era representado internacionalmente pelo icônico Chico Landi, primeiro grande expoente do automobilismo nacional e que terá sua trajetória retratada no documentário "Eu Queria Ser Chico Landi", com estreia prevista para novembro.

Produção sobre história de Chico Landi está prevista para ser lançada em novembro
Produção sobre história de Chico Landi está prevista para ser lançada em novembro
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Dirigido por Paulo Pastorelo, o filme resgata a história e o legado do responsável por colocar o Brasil no mapa do automobilismo mundial. Nascido em São Paulo, Landi estreou em 1934 no Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, brilhou no antigo Grande Prêmio de Bari, na Itália, e pilotou monopostos da Ferrari e da Maserati. Além disso, o lendário piloto, falecido em 1989, foi o primeiro brasileiro a disputar a Fórmula 1, entre 1951 e 1956.

Apaixonado por automobilismo e mecânica, Landi não fez história apenas dentro do cockpit. Ele fundou sua própria equipe, a Escuderia Bandeirantes, e também atuou como diretor de Interlagos, autódromo que acompanhou desde sua construção.

"Acho que tem muita coisa para o público de hoje aprender com a história do Chico Landi. A trajetória dele é longa e impactante em muitos momentos. A mão do Chico está em muitas coisas, diria que praticamente em tudo no automobilismo brasileiro ao longo do século 20. Acho que, com o documentário, realmente teremos o primeiro retrato extenso desse pioneiro", disse Pastorelo em entrevista à ANSA, acrescentando que "será uma grande oportunidade para a nova geração conhecer esse personagem".

Na avaliação do diretor, a memória de Landi ficou "muito eclipsada", especialmente após a "era Senna", mas ele acredita que a produção será uma importante descoberta para as novas gerações, sobretudo entre os apaixonados por automobilismo.

"Essa paixão que o Chico tinha pela máquina, pela mecânica e pela velocidade realmente é algo impressionante. Ele estava sempre ali, e acho isso muito impactante. Ele também era alguém muito generoso e que se entregava de alma àquilo que fazia. Quando vemos um filme ou documentário sobre alguém obsessivamente apaixonado pelo que faz, isso sempre cria conexão", destacou.

Já Marina Pessoa, produtora executiva do projeto, lembrou da generosidade e da inquietação de Landi, movido pelo desejo constante de superar limites e buscar evolução técnica e tecnológica.

"Mais do que querer ter os créditos, Chico queria ver o negócio crescer, se desenvolver, e as pessoas estarem envolvidas e conectadas por essa mesma paixão. O filme vai conectar também pessoas que talvez não tenham essa paixão pelo esporte. Elas vão enxergar a humanidade e o senso de comunidade que existem por trás das máquinas e das questões técnicas e tecnológicas", afirmou ela à ANSA.

O documentário, idealizado a partir de uma ideia de Guga Landi, neto da lenda do automobilismo, reúne depoimentos inéditos de pilotos, mecânicos e jornalistas que acompanharam a trajetória do brasileiro. Além de abordar sua passagem pela Fórmula 1, a produção recordará também os históricos GPs de Bari, vencidos duas vezes por Landi e fundamentais para a consolidação de sua carreira.

"O primeiro grande feito de Landi foi em 1948, em Bari. É um feito enorme se imaginarmos que ele estava vencendo na Europa antes do Fangio. Bari foi absolutamente essencial: foi o circuito europeu em que ele mais correu e onde conquistou dois títulos", comentou Pastorelo, que viajou com a equipe do documentário até a cidade italiana para acompanhar a nona reencenação da antiga prova.

Segundo o diretor, Landi "teve grande repercussão na Itália" por ser considerado "um piloto rápido, surpreendente e vencedor". Apesar do prestígio conquistado no Belpaese, ele nunca correu como piloto oficial da Ferrari ou da Maserati.

Embora a Fórmula 1 tenha passado por transformações profundas nas últimas sete décadas, Pastorelo acredita que ainda seja possível estabelecer paralelos entre a época de Landi ? quando a categoria tinha um perfil mais amador ? e a era moderna da competição, na qual o Brasil é representado pelo jovem Gabriel Bortoleto, piloto da Audi.

"São mundos absolutamente diferentes, mas acredito que a paixão e a dedicação de quem está pilotando continuam as mesmas. Acho que é sempre um desafio ter um brasileiro competindo internacionalmente. Infelizmente, isso ainda não mudou, mas penso que existem paralelos que ajudam a lançar luz sobre o que é a Fórmula 1 hoje e sobre os desafios que Bortoleto e outros pilotos enfrentam", concluiu.

"Eu Queria Ser Chico Landi", que conta com produção da Ebisu Filmes, Guga Landi, Race Car Register BR e Unaí Produções, deverá aproveitar o embalo da edição de 2026 do GP de Interlagos, em São Paulo, para estrear nos cinemas brasileiros em novembro. Além disso, existe a possibilidade de o documentário também ser lançado na Itália futuramente. .

Ansa - Brasil
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