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Pilotos da Stock Car revelam o que muda com os novos pneus

Pneus Hankook são novidade da temporada de 2023 da Stock Car. Cesar Ramos e Daniel Serra contam o que muda em relação aos Pirelli

26 abr 2023 - 01h48
(atualizado às 01h51)
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O grid de 2023 da Stock Car: pneus Hankook são novidade.
O grid de 2023 da Stock Car: pneus Hankook são novidade.
Foto: Duda Bairros / Divulgação Stock Car

No mundo Vicar, que compreende Stock Car Pro, Stock Series e F4 Brasil, a Pirelli saiu de cena no fim de 2022 e a Hankook entrou no jogo. Apesar de pouco conhecidos do público geral, os pneus coreanos não são uma novidade no automobilismo: antes de chegar à Stock, os compostos da Hankook já equiparam carros de 24H Series, TCR Italia, Trofeo Lamborghini e até a DTM. (Abordamos tudo sobre o sobre o novo fornecimento de pneus às categorias nesse artigo)

Mas e nos carros da Stock, como eles se comportam? Com duas etapas concluídas, as impressões iniciais já estão mais consolidadas. O Parabólica esteve no fim de semana de Stock Car em Interlagos e aproveitou a oportunidade para perguntar a quem melhor pode responder a essa pergunta: os pilotos.

“Surpresa boa”

O primeiro contato da maioria dos pilotos com os pneus Hankook se deu na etapa de abertura da temporada, em Goiânia. Antes disso, o pouco que se sabia sobre os novos compostos era que se tratava de material mais rígido que os antigos Pirelli. Havia, em certa medida, um receio de que os pneus poderiam ficar devendo em aderência, o que impactaria negativamente no desempenho dos carros como um todo.

Na prática, não foi bem assim. Já em Goiânia, os tempos da classificação chegaram muito próximos aos obtidos com os compostos antigos: “Na verdade, os pneus foram uma surpresa boa”. A afirmação veio do tricampeão Daniel Serra, da Eurofarma RC. “A gente tinha expectativa de ter um pouco menos grip do que realmente tem. É um pneu que trabalha um pouco diferente do Pirelli, a carcaça dele é um pouquinho mais rígida, ele trabalha um pouquinho menos, mas tem sido um bom pneu.”

Cesar Ramos, da Ipiranga Racing, dono de uma vitória e 5 poles na categoria, vai pela mesma linha: “A gente não sabia muito bem o que esperar dele no começo, mas é um pneu que está nos surpreendendo positivamente, na verdade”.

Foco nos pneus! Cesar Ramos e Daniel Serra contornam o S do Senna.
Foco nos pneus! Cesar Ramos e Daniel Serra contornam o S do Senna.
Foto: Duda Bairros / Divulgação Stock Car

Mudança no estilo de pilotagem

Ainda que as diferenças entre os pneus novos e antigos não sejam gritantes, elas existem. E até a tocada do Stock muda graças ao novo nível de aderência. O segredo está nos detalhes, como a força aplicada nos freios, o momento de acelerar e a forma de tangenciar algumas curvas. Com a palavra, Cesar Ramos:

“Com o pneu Pirelli, eu sentia um pouco mais de apoio, principalmente em curva de raio longo. Conseguir, de repente, soltar o pé do freio antes, carregar um pouco mais de velocidade, que é mais meu estilo. E com esses pneus a gente tem que guiar mais em V, ou seja, ele freia muito bem, tem bastante aderência na freada, mas tem que parar mais o carro e aí procurar sair forte, porque ele tem um arrasto muito grande no meio porque falta esse apoio lateral.”

Perde-se de um lado, ganha-se de outro

A característica de maior dureza dos pneus Hankook quando comparados aos Pirelli cobra seu preço em certos aspectos: “O Pirelli tinha um pouco mais de performance de classificação, por exemplo. Para uma volta rápida, eu acho que tinha um pouco mais de grip, um pouco mais de aderência”, conta Cesar Ramos.

Se há uma percepção de menos aderência, também há de menor desgaste: “A gente consegue trabalhar mais no carro com os pneus [Hankook] mais gastos porque, embora tenha um desgaste, ele é mais constante ao invés de ter drops muito grandes”, analisa o piloto da Ipiranga, que conquistou um pódio na etapa de Interlagos.

Cesar Ramos, em primeiro plano, abriu o jogo sobre os novos pneus.
Cesar Ramos, em primeiro plano, abriu o jogo sobre os novos pneus.
Foto: Cesar Ramos / Instagram

Aposta na Corrida 2 pode ser mais arriscada

O atual formato da Stock Car conta com duas corridas por etapa. Funciona assim: faz-se a classificação para que seja definido o grid de largada da corrida 1. Ao fim dessa primeira corrida, os 10 primeiros invertem suas posições e parte-se para a largada da corrida 2.

Nos últimos anos, tornou-se comum ver pilotos sacrificando a corrida 1 para começar a 2 com um jogo de pneus novo e tanque mais cheio. Com isso, esses poderiam se aproveitar da diferença de condições de pneus em relação a quem ficou na pista para, assim, escalar o pelotão com relativa facilidade.

Agora, com o menor desgaste, quem estiver com pneus gastos tende a conseguir se defender melhor, como explica Cesar: “Acho que, com esse pneu, vai ter um pouco menos disso, já que existe o drop inicial e ele fica mais constante, a perda de performance não é tão grande”.

Daniel Serra em ação em Interlagos. Para ele, pneus foram "surpresa boa".
Daniel Serra em ação em Interlagos. Para ele, pneus foram "surpresa boa".
Foto: Duda Bairros / Divulgação Stock Car

Fase de aprendizado

Mesmo com uma boa noção de como se comportam os novos pneus e o que mudou em relação aos anteriores, os pilotos são unânimes: ainda faltam dados para um entendimento mais completo do funcionamento dos novos compostos. E não há segredo: só se chegará lá testando na prática.

“A gente só vai aprendendo mesmo com quilometragem, e a quilometragem de um fim de semana de Stock Car é baixa, então a gente precisa de alguns finais de semana para realmente entender, entender em condições diferentes”, explica Daniel Serra. “Lá em Goiânia estava muito quente, aqui [em Interlagos] está um pouco mais frio, a gente deve ter etapa ainda mais fria que essa, então fica um pouco mais difícil de entender. A gente precisa de um pouco mais de quilometragem.”

Cesar Ramos vai pela mesma linha, reforçando a importância do entendimento dos pneus para um melhor desempenho: “A gente está aprendendo muito ainda com ele”, revela. “A cada etapa a gente vai tentar ter um entendimento melhor, porque é uma das partes mais importantes do carro. Você trabalhar bem o pneu é onde você vai extrair a melhor performance do carro.”

O piloto da Ipiranga falou também sobre como tem sido sua adaptação aos pneus: “Eu, particularmente, estou aprendendo bastante ainda e espero que a gente tenha um entendimento melhor a cada etapa para poder ser mais e mais competitivo”, conta. “Eu não me sinto 100% confortável ainda. Ainda não entendi exatamente o quanto devo aquecer, se é melhor fazer uma coisa ou outra. Estou numa fase de aprendizado em relação a isso.”

Pneu Hankook utilizado na Stock Car
Pneu Hankook utilizado na Stock Car
Foto: Luís Gustavo Ramiro

Condições iguais

Pneus mais resistentes e menos aderente, ajustes no estilo de pilotagem, adaptação nas estratégias, coletas de dados. São dificuldades e desafios impostos a todos os pilotos da Stock Car para 2023. Mais cedo ou mais tarde, preferências e métodos à parte, todos estarão plenamente adaptados à nova condição.

Daniel Serra, do alto de sua experiência, resume de forma certeira a troca de fornecedor e os desafios que isso traz: “No fim, não muda muita coisa. É igual para todo mundo. Sendo bom ou sendo ruim, está todo mundo usando a mesma coisa”.

Para ficar nas palavras do próprio Serra, a etapa de Interlagos acabou “sendo ruim” para ele. O piloto da Eurofarma teve sua participação comprometida justamente por um pneu furado. Coisas do automobilismo...

Nota do redator: é possível que o pneu furado do carro de Daniel Serra seja a exata unidade da foto acima. Se for, me adianto a eventuais conspiradores: não tenho nada a ver com isso! Apenas fiz o meu dever de registrar um pneu convenientemente acomodado de forma fotogênica no canto do paddock enquanto apurava o tema...

Parabólica
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