Ferrari critica pneus de chuva extrema da Pirelli: "Útil em clima que nunca corremos"
Chefe de estratégia da Ferrari, Iñaki Rueda criticou disparidade entre pneus de chuva extrema e intermediários da Pirelli e destacou "dilema" sobre quando optar por um ou outro
A Ferrari afirmou ter vivido um grande dilema durante a disputa do GP do Japão de Fórmula 1, no último fim de semana, quando Max Verstappen venceu e garantiu a conquista de seu bicampeonato mundial. Chefe de estratégia do time italiano, Iñaki Rueda lamentou o fato da equipe ter economizado nos pneus slick durante o sábado (08) — já que as péssimas condições climáticas de domingo fizeram com que eles nem pudessem ser usados — e criticou os compostos de faixa azul da Pirelli. Além disso, a dificuldade em decidir qual seria o melhor pneu de chuva para se utilizar em Suzuka trouxe uma dúvida feroz para os engenheiros.
"Quando chegamos lá [no circuito] na manhã de domingo, vimos que todos os pneus para pista seca que havíamos guardado para a corrida não seriam úteis para nada", afirmou Rueda. "Por quê? Porque tínhamos uma previsão que era preocupante: esperávamos que a chuva começasse ao meio-dia e não terminasse até tarde da noite", explicou.
O "dilema" ao qual Rueda se referiu tem sido comum na Fórmula 1 2022: os pneus de faixa azul da Pirelli, para chuva extrema, raramente são utilizados pelos pilotos porque apresentam um déficit considerável de velocidade e ainda potencializam o spray. Assim, mesmo que as condições climáticas sejam ruins como em Suzuka, todos procuram trocar para os intermediários — de faixa verde — assim que possível. A questão é entender o momento exato de fazer isso.
"Esse ano, em condições de pista molhada e com esses pneus que temos, é um verdadeiro dilema", afirmou. "Temos um pneu para chuva extrema que é útil apenas para uma janela muito pequena — um tipo específico de monções, clima em que nunca corremos", destacou.
"Os pneus intermediários, por outro lado, realmente se comportam muito bem em condições de pista molhada", ressaltou. "Então, a qualquer momento em que uma equipe precisa escolher entre pneus de chuva extrema e intermediários, escolhemos os intermediários. Ele é apenas mais rápido na maioria das condições", prosseguiu Rueda.
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Após a paralisação da corrida devido ao acidente de Carlos Sainz e o posterior reinício sob safety-car, todos os pilotos utilizavam pneus para chuva extrema. No entanto, assim que o carro de segurança se encaminhou ao pit-lane, Nicholas Latifi e Sebastian Vettel o seguiram e calçaram os compostos de faixa verde. A partir daí, não levou nem uma volta inteira para a Ferrari perceber que deveria fazer o mesmo.
"Ninguém conseguiria usar os intermediários enquanto estava atrás do safety-car", destacou. "Mas, como sabemos, os intermediários são mais rápidos na grande maioria das condições de chuva. Então, assim que o safety-car entrou nos boxes, você viu que dois carros já entraram para calçá-los", relembrou.
"Isso nos deu uma ideia de como a pista estava com os intermediários. Rapidamente vimos que Sebastian Vettel era o carro mais rápido da pista apenas em sua volta de saída com os intermediários", observou. "E isso nos deu confiança para entrar na volta seguinte e trocar os pneus de chuva extrema pelos intermediários também", finalizou.
A Fórmula 1 retorna daqui a duas semanas, com a disputa do GP dos Estados Unidos, em Austin, marcada para acontecer entre os dias 21 e 23 de outubro.
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