Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Entre tecnologia e dinheiro, ainda existe emoção na F1

Anthony Hamilton e Isack Hadjar nos mostraram no domingo que a emoção genuína ainda existe na F1 entre milhões e milésimos de segundo

18 mar 2025 - 17h24
Compartilhar
Exibir comentários
Hadjar e Anthony Davidson no paddock de Melbourne. Existe compaixão na F1
Hadjar e Anthony Davidson no paddock de Melbourne. Existe compaixão na F1
Foto: Threads / Reprodução

Na visão de muitos, a F1 é um mundo financeiro, tecnológico e extremamente brutal, não hesitando em pisar em pescoços para poder seguir em frente. Não deixa de ser errado e faz jus ao apelido “Clube das Piranhas”.

Porém, mesmo neste mundo de máquinas, ainda há emoção genuína.

Embora a ciência e a técnica tenham a primazia, o fator humano ainda está ali presente. E por mais que seja controlado e retesado, ele aflora. Pensa-se que os pilotos são imagem e semelhança de seus carros. Longe disso.

Temos que lembrar que os pilotos em boa parte são jovens e que tiveram de renunciar a muitas coisas para chegar até a F1, tendo que desenvolver ao extremo o lado competitivo, de lidar com pressões por resultados e construir uma carreira. Muitos acabam por não aguentar e caem. A casca criada por estes pilotos acaba por ser muito grossa por uma questão de sobrevivência.

Neste GP da Austrália no último domingo, um destes momentos de sensibilidade veio à tona: o francês Isack Hadjar, 20 anos, fazendo sua estreia pela Racing Bulls, acabou por perder o controle do seu VCARB 02 número 6 na volta de aquecimento e bateu na barreira de proteção, de maneira que não tinha mais como prosseguir.

Hadjar andando no limite na pista molhada do Albert Park: a inexperiência cobrou seu preço
Hadjar andando no limite na pista molhada do Albert Park: a inexperiência cobrou seu preço
Foto: Red Bull Content Pool

É complicado esperar um momento por sua vida e quando ele chega, acaba por se desfazer. Frustração é algo natural que apareça. E foi difícil ver a reação de Hadjar. Sua postura já mostrava todo seu desencanto e tristeza. Poderia se imaginar as lagrimas rolando. A volta para os boxes seria longa e dolorida...

Aqui vem o momento que ninguém esperava: Anthony Davidson, pai de Lewis Hamilton – e de quem Hadjar se declarou fã -, foi abraçá-lo. Pode parecer pouco, mas muitas vezes, é de um apoio que se precisa. Nem palavras. Somente o cuidado, um braço amigo. Nesta hora, a armadura de kevlar e fibra anti-incêndio se mostra impotente e mostra sua fragilidade. Ela pode absorver chamas e impactos, mas não frustrações e emoções.

A touching moment between Isack Hadjar and Anthony Hamilton 🥺 #F1 #Formula1 #AusGP

Publicado por F1 em Sábado, 15 de março de 2025

Alguns podem interpretar como fraqueza. Como aparentemente Helmut Marko, fiador da promoção de Hadjar para a F1, o fez. Talvez a frieza germânica possa interpretar este choro como um sinal de fraqueza. Mas foi necessário para lembrar que somos frágeis e que todos precisam às vezes somente uma palavra e um gesto de alento.

Algumas vezes, temos que ter Helmut Marko em nossas vidas para nos mostrar que a vida não é fácil. Mas nunca se pode deixar de lado um Anthony Hamilton para lembrar que somos de carne, osso e emoções. A vida é equilíbrio. E não podemos deixar de lado o momento em que só precisamos de conforto.

Obrigado, Anthony Hamilton. Por nos mostrar que a vida é mais do que disputa por posições, visões de mundo. Não temos que buscar o que nos separa, mas sim o que nos une. E que dentro de cada carro vai um ser humano, que carrega os esforços de tantos outros. E obrigado Isack Hadjar, por lembrar que não é errado demonstrar tristeza. Vamos olhar para a próxima prova e fazer melhor.

Parabólica
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade