Atletas ucranianos boicotarão abertura das Paralimpíadas de Milão-Cortina
Medida é protesto contra aval para bandeiras de Rússia e Belarus
Atletas da Ucrânia boicotarão a cerimônia de abertura das Paralimpíadas de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Arena de Verona, em protesto contra a decisão do Comitê Paralímpico Internacional (CPI) de permitir que russos e bielorrussos compitam no evento com suas bandeiras.
O anúncio foi feito pelo Comitê Paralímpico Ucraniano, que também pediu que o estandarte do país não seja usado na festa de inauguração do megaevento esportivo, marcada para 6 de março.
Na última quarta, o governo da Ucrânia já havia dito que boicotaria a cerimônia de abertura, na esteira da decisão do CPI de permitir a participação nas Paralimpíadas de seis russos e quatro bielorrussos com suas próprias bandeiras, que estão banidas do esporte internacional desde a invasão iniciada em 2022.
O ministro dos Esportes ucraniano, Matviy Bidny, classificou a medida como "ultrajante" e acusou a Rússia e Belarus de transformarem "o esporte em uma ferramenta de guerra, mentiras e desprezo".
A Ucrânia é uma das maiores potências mundiais nos esportes paralímpicos de inverno e ficou em segundo lugar no quadro de medalhas das Paralimpíadas de 2022, em Pequim, evento realizado logo no início da invasão russa.
A decisão do CPI também foi criticada pelo poder Executivo da União Europeia, que não participará da cerimônia de abertura, e pelo governo da Itália, país-sede do evento.
"A contínua violação da trégua e dos ideais olímpicos e paralímpicos por parte da Rússia, apoiada por Belarus, é incompatível com a participação de seus atletas nos Jogos, exceto como atletas individuais neutros", diz uma nota assinada pelos ministros italianos Antonio Tajani (Relações Exteriores) e Andrea Abodi (Esportes).