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Aos 21 anos, estudante tem duas empresas; veja outros casos

Pesquisa do Instituto Endeavor revela que 60% dos universitários brasileiros pensam em abrir o próprio negócio

14 ago 2014
09h05
atualizado às 18h09
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Aroldo Mendonça Neto é o que se pode chamar de empreendedor. Ainda na escola, com 11 anos, vendia pulseiras de miçangas que ele mesmo produzia. Aos 17, já era um dos sócios de uma empresa de blindagem de carros, a Blocker Blindagens. E, hoje, aos 21 anos, o aluno do sexto período da graduação em Administração do Ibmec, no Rio de Janeiro, é um dos sócios do Beba Água, aplicativo que lembra as pessoas de se hidratarem conforme suas necessidades.

Aroldo Mendonça Neto, 21 anos, aplica o que aprende no curso de Administração em suas duas empresas, um negócio de blindagem de carros e um aplicativo de saúde
Aroldo Mendonça Neto, 21 anos, aplica o que aprende no curso de Administração em suas duas empresas, um negócio de blindagem de carros e um aplicativo de saúde
Foto: Arquivo pessoal

O apoio da família é outro fator que ajuda muito os jovens empresários, como é o caso de Neto. Ele montou a empresa de blindagem de carros com o apoio do avô, que é seu grande modelo, pois “veio da roça” e conseguiu montar uma rede de supermercados e se tornar referência no setor de produtos da construção civil: “Herdei o DNA empreendedor do meu avô”, conta.  A segunda empresa do jovem também contou com a participação da família. Ele se associou a um amigo de seu pai para criar o aplicativo Beba Água.

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Neto faz parte de um grupo ainda pequeno, mas que tende a crescer: o dos universitários donos de empresa. Segundo a pesquisa Empreendedorismo Universitário 2012, realizada pelo Instituto Endeavor em parceria com o Sebrae, apenas 8,8% dos alunos de cursos superiores do país são empreendedores. Mas o mesmo levantamento mostra que 60% dos jovens entrevistados querem abrir o próprio negócio. 

Apesar de o número de universitários empreendedores ainda ser ínfimo, há um contínuo crescimento de pessoas que abrem uma empresa ainda na faculdade ou logo depois da formatura. Como afirma João Bonono, professor de Empreendedorismo do Ibmec-MG e especialista em Relações de Trabalho e Negociação, empreender é uma opção de carreira muito válida. “O jovem de hoje quer desafios. E pensa em empreender como uma meta de vida”. 

<p>B&aacute;rbara de Ara&uacute;jo Rezende, 24 anos, aproveitou a seguran&ccedil;a de morar com os pais para montar uma empresa de produtos saud&aacute;veis</p>
Bárbara de Araújo Rezende, 24 anos, aproveitou a segurança de morar com os pais para montar uma empresa de produtos saudáveis
Foto: Arquivo pessoal

Perfil empreendedor
André Camargo, 26 anos, é um bom exemplo de jovem com perfil empreendedor.  Quando cursava Administração na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, e fazia estágio em uma empresa de importação, observou que o e-commerce poderia ser um nicho de negócios e desenvolveu o aplicativo One Two, que identifica ofertas e produtos disponíveis nos shoppings mais próximos do usuário. 

Camargo tinha um dinheiro guardado e, depois de se formar, no fim de 2010, decidiu investir as economias para abrir sua própria empresa em março de 2011. Ele se dedicou ao negócio próprio por quatro meses, quando recebeu um convite para trabalhar numa startup. Depois de um ano afastado, decidiu retomar a empresa própria em novembro de 2012. O jovem acredita que o período logo após a formatura na universidade é o melhor momento da vida para empreender. Ressalta que há dificuldades, mas vale a pena: “Exige muita resiliência. Para mim, foi ótimo. Pois, meus custos de vida eram pequenos”, diz Camargo.

Empreender exige muita resiliência, resume o empresário André Camargo, 26 anos, criador do aplicativo de compras One Two
Empreender exige muita resiliência, resume o empresário André Camargo, 26 anos, criador do aplicativo de compras One Two
Foto: Arquivo pessoal

Outro que aproveitou a graduação para preparar o terreno para montar seu próprio negócio foi o engenheiro mecânico Marcus Casagrande, de 24 anos. Durante um intercâmbio nos Estados Unidos ele teve a ideia de construir uma impressora 3D e desenvolveu os componentes da máquina como projeto de conclusão do curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao obter o diploma, se associou ao designer Yan Molinos, também recém-formado, e montou a Koios, empresa especializada em impressão 3D.

Casagrande acredita que o bom de iniciar a carreira na própria empresa é que o profissional vem sem vícios das grandes corporações. E, para ele, a falta de experiência no mundo dos negócios não é um problema. “Cada vez temos mais acesso às informações. Dá para aprender a fazer um plano de negócios estudando de forma autodidata”, afirma o jovem empresário. A difusão desse tipo de conhecimento, aliás, é um dos fatores que vêm contribuindo para o aumento do empreendedorismo entre os jovens, explica o professor Bonono, do Ibmec.

Apoio familiar e acadêmico
Mesmo quando os familiares não financiam diretamente o negócio, a segurança de morar com os pais permite que o jovem empreendedor arrisque mais. “É o momento certo. Sou jovem e moro com meus pais. Tinha dinheiro guardado. Se der errado, ainda dá para mudar o caminho”, afirma Bárbara de Araújo Rezende, que aos 24 anos é proprietária da Healthybox, empresa de Belo Horizonte que oferece produtos saudáveis por meio de uma assinatura mensal. Bárbara fez o plano de negócios de sua futura empresa ainda na faculdade e trabalhou um ano na área de pesquisa de mercado. 

       O engenheiro Marcus Casagrande (à esquerda) e o designer Yan Molinos montaram a Koios, empresa de impressão 3D, logo depois de se formarem
O engenheiro Marcus Casagrande (à esquerda) e o designer Yan Molinos montaram a Koios, empresa de impressão 3D, logo depois de se formarem
Foto: Arquivo pessoal

A inovação proporcionada pelo ambiente acadêmico também ajuda no fomento de novas empresas. Quando cursava Educação Física na Unicamp, Lucio Muramatsu, 28 anos, trancou a matrícula para passar um tempo lutando jiu-jitsu nos Estados Unidos. Na volta, desenvolveu com colegas da iniciação científica o embrião do Leanlife, aplicativo de celular que elabora programas de treinamento de musculação personalizados. Ao se formarem, os estudantes transformaram o aplicativo em um negócio. “No início nos dividimos entre outras atividades. Tivemos um capital de entrada baixo”, conta Muramatsu, que hoje faz mestrado em Educação Física na Unicamp. 

Às vezes, o “empurrãozinho” vem mais tarde, mas ainda no ambiente acadêmico. O farmacêutico Nilton Sérgio de Aquino decidiu empreender após cursar um mestrado na Unicamp em Medicina e depois de uma década trabalhando na área. A ANSPharma, especializada em  pesquisa e desenvolvimento de fármacos e medicamentos aplicados a saúde humana e animal, surgiu quando Aquino observou o “gap” de comunicação entre indústria e academia. 

 

Fonte: PrimaPagina
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