Ele tem empresa de energia elétrica que fatura R$ 100 milhões por ano após sonho em ser eletricista
Sérgio Fagundes fundou a Insight Energy, focada em soluções elétricas para outras empresas
Sérgio Fagundes, que sonhava em ser eletricista na infância, fundou a Insight Energy, empresa de soluções elétricas que fatura R$ 100 milhões por ano, superando desafios pessoais e financeiros ao longo de sua trajetória.
Quando criança, Sérgio Fagundes sonhava em ser eletricista. A ideia de ter carteira assinada e estabilidade o fascinava em uma realidade familiar de altos e baixos financeiros. Hoje, Sérgio pode olhar para trás com orgulho de sua trajetória: fundou uma empresa que oferece soluções para o setor elétrico, com faturamento previsto de R$ 100 milhões para 2025.
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“O mais importante é o seu trajeto, seu caminho, por onde você passa, as experiências que você vai ter ao longo do caminho. A gente atingiu um nível espetacular. Um nível onde o meu nome está numa mesa de diretoria de uma multinacional. Meu nome está na mesa de uma concessionária de energia elétrica”, afirma.
O caminho de Sérgio começou na roça, em uma cidade próxima a Londrina, no Paraná. Ele nasceu em uma família que arrendava uma propriedade rural para plantação. Em 1974, o pai de Sérgio começou a trabalhar com o cultivo de café numa fazenda na região metropolitana da cidade. Um ano depois, porém, veio a “geada negra”, que pôs fim ao cultivo de café em larga escala no norte do Paraná.
“Muitos agricultores perderam toda a sua cultura e tiveram que mudar do café para outro tipo de atividade. Isso fez com que a gente ficasse sem recursos ali, sem o nosso ganha-pão, vamos dizer assim”, relembra Sérgio.
O evento climático fez com que a família optasse por se mudar para a cidade grande. Lá, a realidade foi um pouco mais dura. Para ajudar em casa, Sérgio, ainda criança, saía às ruas catando materiais recicláveis. No turno oposto, estudava.
“Foi uma condição que meu pai colocou. Ele falou, ‘Sérgio, você não pode deixar de estudar, porque se você não estudar, você vai acabar tendo as mesmas condições que o seu pai tinha’”, diz.
As idas em busca dos materiais recicláveis seguiam uma rotina similar à de quem bate ponto, indo e voltando sempre nos mesmos horários. Foi nessa época que surgiu o sonho de ser eletricista. Ele assistia ao pai da família vizinha sair para o trabalho, voltar para almoçar com a família e chegar cedo à noite para ficar com os filhos.
“Minha sacada foi perguntar aos vizinhos o que o pai deles fazia”, conta Sérgio. Como resposta ouviu a palavrinha “eletricista” e a semente se instalou.
De eletricista a empresário
Sérgio perseguiu o sonho focando no ensino técnico ainda na adolescência. Formou-se no Ensino Médio Técnico e fez alguns cursos profissionalizantes na área. Aos 18 anos, já trabalhava em uma empresa do setor elétrico, mas como auxiliar. A meta de Sérgio era, com um ano, estar com o registro de “eletricista” na carteira de trabalho.
Os meses foram passando e a promoção não veio. A frustração fez com que Sérgio se dirigisse ao diretor da empresa pedindo demissão. Em resposta, recebeu a mudança de cargo e ficou por mais 20 anos na mesma empresa.
“Eu fui chão de fábrica, quando eu trabalhei na oficina, melhorei o setor que eu trabalhava, melhorava as áreas, dava instruções para os novatos, para as pessoas que estavam entrando, treinava, e ali eu cheguei a encarregado do setor, gerente de área.”
Em paralelo, Sérgio chegou a dar aulas por quatro anos no Senai, após se formar em Eletrotécnica. Dos alunos, sempre vinha uma pergunta que o incomodava, queriam saber se ele era engenheiro.
“Falei, ‘Puxa vida, eu preciso ser engenheiro’. Foi aí que eu cheguei em casa, falei pra minha esposa, ‘Olha, a gente vai ter que comer pão e água, passar por um período de dificuldade, mas eu vou fazer engenharia elétrica’”, relembra. Na época, ele se lembra de destinar cerca de metade do salário para a mensalidade na faculdade.
Depois de concluída a formação, já com 40 anos de idade, ao olhar a carteira de trabalho, Sérgio se viu mais uma vez insatisfeito. Queria sair do mesmo lugar e ganhar mais dinheiro. Montou um plano de negócio e se dirigiu mais uma vez ao chefe para pedir demissão. De novo, o dono não aceitou o pedido e dessa vez propôs uma parceria de negócio. A sociedade, porém, se rompeu pouco tempo depois.
Sérgio conta que saiu de mãos abanando. “Em meados do meu curso de engenharia, a empresa pagou metade do meu curso. E na hora que eu saí, ela descontou esse período que eles pagaram a metade, fizeram um acerto. Então, eu fiquei com a mão na frente e até atrás, não tinha nada.”
Mas não lhe faltava coragem. Com dois filhos e um casamento desfeito, Sérgio começou a estruturar o negócio, que consistia em fazer um diagnóstico de vida útil dos equipamentos das empresas. “Para fazer o diagnóstico, eu precisava só do aparelho. É como se fosse um médico que não tem clínica”, conta, relembrando o esforço que fez para comprar esse primeiro aparelho da empresa.
Depois da apresentação do diagnóstico, começaram a aparecer clientes pedindo também os reparos. “Foi aí a necessidade de criar a nossa primeira estrutura como empresa”, conta. Hoje, há mais de 300 profissionais que trabalham na Insight Energy, dentre eles, cerca de 60 são engenheiros nas áreas de engenharia elétrica, de produção e de engenharia mecânica.