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Vendas no varejo do Brasil avançam em março pelo 3º mês e renovam recorde com valorização do real

13 mai 2026 - 09h14
(atualizado às 10h34)
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As vendas ‌no varejo brasileiro surpreenderam e cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando ao final do primeiro trimestre o recorde da série histórica iniciada em 2000 com ajuda da valorização recente do real ante o dólar.

No mês, as vendas registraram alta de 0,5% em relação a fevereiro, depois de terem avançado 0,7% em fevereiro e 0,5% em janeiro, mostraram os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de ⁠Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram ganho de 4,0%.

Com isso, ‌o setor encerra o primeiro trimestre com ganho de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, melhor resultado desde o segundo trimestre de 2024 (+1,4%).

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de estabilidade na ‌comparação mensal e de alta de 2,75% na base anual...

"Há ‌nesse começo de ano uma apreciação do real frente ao dólar, e muitas empresas aproveitam o ⁠dólar mais barato para importar e fazer estoques para depois vender e fazer promoções. Foi exatamente isso que ocorreu em março", destacou Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE.

A guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo desde que começou em 28 de fevereiro, lançou uma sombra sobre o mês de março, afetando os preços de alimentos e de combustíveis e pesando no bolso dos consumidores.

O mercado ‌de trabalho robusto e medidas de estímulo ao consumo, entretanto, vêm dando algum suporte ao setor varejista, mesmo ‌diante da taxa de juros elevada, ⁠o que ajuda a impulsionar ⁠o PIB neste começo de ano. Também colaborou a queda de 5,65% do dólar frente ao real no primeiro ⁠trimestre.

"A apreciação da taxa de câmbio tem diminuído os custos ‌de segmentos mais dependentes da variação ‌do dólar e a ampliação de programas de crédito também vêm contribuindo para o crescimento do setor", disse Rafael Perez, economista da Suno Research.

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros Selic a 14,5%, mas pregou cautela, argumentando que precisará incorporar novas informações para ⁠definir a política monetária à frente.

O setor do varejo "provavelmente apresentará contribuição relevante para o crescimento do PIB no 1º trimestre, o qual esperamos que avance 0,9%", disse André Valério, economista sênior do Inter.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco tiveram resultados positivos em março, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e ‌comunicação (5,7%).

Também mostraram crescimento das vendas Combustíveis e lubrificantes (2,9%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%); Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

"Mesmo com o preço mais caro, ⁠a demanda não caiu no setor de combustíveis. Com preços mais altos, a receita aumentou e, mesmo descontada a inflação, o setor tem um desempenho positivo para o volume", explicou Santos. "Esse é o único efeito da guerra sobre o varejo."

Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) tiveram perdas -- o último segmento, a maior desde junho de 2024. A atividade de Tecidos, vestuário e calçados ficou estável.

"Essa queda forte de hipermercados tem a ver com a inflação mais alta de produtos. A alimentação em domicílio está mais alta, e isso aparece nas vendas dos mercados e hipermercados", explicou Santos. "Há este ano também uma mudança de hábito, em que as pessoas estão aumentando seus gastos com bens de maior valor. As pessoas estão comprando mesmo com juros altos."

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas aumentou 0,3% em março sobre o mês anterior.

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