Vendas do comércio crescem 0,5% em março e atingem recorde, aponta IBGE
Na comparação com março de 2025, vendas do varejo tiveram alta de 4,0% no terceiro mês do ano, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio
RIO - As vendas do comércio varejista subiram 0,5% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quarta-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o varejo passou a operar em novo patamar recorde na série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2000.
Na comparação com março de 2025, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 4,0% em março.
A alta em março ante fevereiro foi o terceiro resultado positivo consecutivo, marcado por uma migração do consumo para itens não essenciais, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio no IBGE.
"O cenário do início deste ano é um pouco diferente do final do ano passado. Até o ano passado, a gente tinha o indicador em expansão mais sustentado pelo consumo de produtos mais básicos, como supermercados e farmacêuticos. Esse foi o fechamento do ano de 2025. Agora, com a entrada desses três primeiros pontos de 2026, esse cenário já muda. Supermercados perdem esse protagonismo, farmacêuticos também perdem um pouco, apesar de não terem caído. E o que vem apoiar e dar pressão a essa expansão (do varejo) são outras atividades que ofertam bens não tão básicos assim, como material de escritório e informática em março", afirmou Santos.
Na passagem de fevereiro para março, cinco das oito atividades pesquisadas cresceram: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%), combustíveis e lubrificantes (2,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%). Houve perdas em móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e supermercados (-1,4%). A atividade de tecidos, vestuário e calçados ficou estável (0,0%).
O comércio varejista ampliado — que inclui veículos, material de construção e atacado alimentício — cresceu 0,3% em março ante fevereiro. Material de construção teve alta de 1,6%, e veículos registraram queda de 0,6%. O segmento de atacado alimentício não possui divulgação nessa comparação por não acumular número suficiente de meses para submissão à modelagem de ajuste sazonal.
Tanto o varejo restrito quanto o varejo ampliado registraram em março o terceiro mês de avanços consecutivos, ambos alcançando novos patamares recordes de vendas. Segundo o pesquisador, a trajetória do varejo é de uma renovação de picos históricos desde os últimos meses do ano passado, um resultado expressivo, com expansão considerável neste início do ano.
"São três renovações consecutivas de patamar (recorde)", disse Santos. "O comércio varejista vem em expansão desde outubro."
Santos lembra que a taxa de juros em patamar elevado não tem se refletido em redução de concessão de crédito, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho permanece aquecido, com mais pessoas ocupadas e massa de rendimentos em expansão.
"Isso faz com que haja margem na renda para consumo de itens não essenciais", explicou.
Quanto à queda nas vendas de supermercados em março, há influência da inflação de alimentos, mas o movimento decorre, sobretudo, da transferência do consumo, que migra do setor para outras atividades.
"É uma questão de escolha, de colocar seu orçamento em produtos que não são tão básicos assim", completou o pesquisador.
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