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Trump quer taxar o mundo inteiro enquanto Lula reduz imposto de importação de alimentos, diz Haddad

Ministro da Fazenda se mostra otimista sobre relação com os EUA e diz que 'seria um capricho' país 'arrumar confusão com o Brasil'

8 mar 2025 - 14h26
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na noite desta sexta-feira, 7, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está "querendo taxar o mundo inteiro" enquanto o presidente Luiz Inácio da Silva reduz imposto de importação de alimentos no Brasil.

"O cara que o (ex-presidente Jair) Bolsonaro apoia nos Estados Unidos está querendo taxar o mundo inteiro e o Lula acabou de anunciar redução do imposto de importação de alimentos", afirmou o ministro em entrevista ao podcast Flow, em São Paulo.

Na quinta-feira, 6, o governo anunciou a zeragem da alíquota de importação de produtos como carne, café, açúcar, azeite e macarrão (veja lista abaixo) na tentativa de frear a inflação dos alimentos - que entrou na mira do Planalto por puxar para baixo a popularidade do presidente, hoje no patamar mais baixo de seus três mandatos.

O pacote de medidas, no entanto, foi considerado inócuo e pouco relevante por especialistas ouvidos pelo Estadão.

Questionado sobre a efetividade das propostas para baixar os preços, Haddad afirmou que o controle da inflação não vai acontecer apenas com as medidas anunciadas ontem pelo governo. Para o ministro, as medidas têm alcance, mas a produção agrícola, apoiada pelo Plano Safra, e a correção do câmbio devem ser mais efetivos em derrubar a inflação de alimentos.

Segundo Haddad, a decisão de zerar o imposto de importação não tem o objetivo de derrubar os preços imediatamente, mas sim segurar o apetite dos produtores que estão com a intenção de subir os preços. "Tem alcance, mas há outros fatores que vão ajudar mais a baixar o preço", comentou o ministro da Fazenda, que não participou do anúncio das medidas.

Ele ressaltou que um "bom Plano Safra" é metade do caminho para conter a inflação dos alimentos. Em paralelo, emendou, o dólar precisa voltar a um patamar civilizado. "Então, não é uma coisa que vai resolver. Não acredito que tenha uma decisão que vai resolver [a inflação]", comentou.

O ministro da Fazenda frisou também que o presidente Lula fez um apelo para os governadores anteciparem a redução do ICMS sobre cesta básica, cujos produtos foram zerados do imposto sobre valor agregado, o IVA, criado pela reforma tributária, e que ainda será implementado.

'Seria um capricho Trump arrumar uma confusão com o Brasil'

Haddad expressou otimismo sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos, apesar das ameaças de Donald Trump que podem resultar em aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, como o aço e o etanol.

O ministro observou que a troca de comércio e serviços entre os dois países é superavitária do lado americano, de modo que "não faz muito sentido" para Trump entrar numa disputa comercial com o Brasil. "Seria um capricho arrumar uma confusão com o Brasil. Não faz muito sentido econômico, entendeu?", comentou o ministro.

Assim, ele avaliou que a mudança de governo nos Estados Unidos, apesar das incertezas, não deve levar a uma guinada nas relações com o Brasil - que, pontuou Haddad, vinham prosperando nos dois últimos anos da administração de Joe Biden. "Eu não acredito que a mudança de governo vai implicar uma mudança drástica, até porque as nossas relações comerciais são muito equilibradas."

O ministro da Fazenda também destacou que o Brasil está em posição favorável no cenário internacional, apontando a aproximação com a China, com quem as relações bilaterais, conforme Haddad, "não podiam ser melhores", e o acordo do Mercosul com a União Europeia.

Para ele, existe um grau de incerteza global sobre Trump, que, entende, dá sinais trocados sobre o que efetivamente vai fazer, sem deixar muito claro a direção de suas políticas. Mas o Brasil, reforçou, está em situação confortável para contornar ruídos nas relações bilaterais e será também beneficiado pela queda "contratada" da queda dos juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Estadão
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