Trump intervém com tarifas na política interna brasileira por Bolsonaro, diz Ian Bremmer
Para CEO da consultoria Eurasia, seria 'intolerável' para os líderes políticos americanos de qualquer partido se outro país tentasse o mesmo nos Estados Unidos
NOVA YORK - O CEO da consultoria Eurasia, Ian Bremmer, afirmou que os Estados Unidos estão interferindo na política interna do Brasil ao aplicar uma tarifa de 50% a produtos importados do País por justificar a alíquota pelos ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Os Estados Unidos intervêm na política interna do Brasil, enquanto o presidente Trump anuncia tarifas de 50% 'devido em parte aos ataques insidiosos do Brasil' a Jair Bolsonaro", disse Bremmer, em seu perfil no X.
Trump anunciou nesta quarta-feira, 9, que vai taxar os produtos do Brasil em 50%, muito acima dos 10% anunciados no Dia da Libertação, em abril. Na carta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o republicano afirmou que a taxação é uma resposta ao tratamento dado pelo País ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas americanas de tecnologia.
"Seria intolerável para os líderes políticos americanos (republicanos e democratas) se outro país tentasse isso nos Estados Unidos", avaliou Bremmer.
De acordo com ele, é difícil mensurar como a taxação de 50% ao Brasil em apoio a Bolsonaro serve aos interesses nacionais dos EUA. "Não que o presidente Trump esteja alegando que sim. Mas, já que vai custar aos contribuintes, vale a pena destacar", afirmou o cientista político.
Nos últimos dias, Trump tem mencionado o Brasil frequentemente em suas postagens e comentários, acusando o País de fazer uma 'caça às bruxas' a Bolsonaro por conta do julgamento do ex-presidente brasileiro.
A alíquota imposta pelos EUA ao Brasil é maior divulgada até agora na segunda rodada do Dia da Libertação, como ficou conhecido o anúncio do tarifaço de Trump. Fica atrás apenas de países como Mianmar e Laos, ambos taxados em 40% cada pelo republicano.