Trump descarta novo aumento de tarifa para a China, taxada em 125%, e diz que fará acordo com todos
O presidente dos Estados Unidos diz que a suspensão das tarifas recíprocas é temporária e que efeitos estão sendo mais rápidos do que o previsto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não espera um novo aumento de tarifas sobre a China. Ele deu a declaração, na Casa Branca, nesta quarta-feira, 9, horas depois de elevar a 125% a taxação de produtos chineses, mas ao mesmo tempo pausar as chamadas tarifas recíprocas para os demais parceiros comerciais e, assim, reanimar os mercados.
Trump sinalizou uma possível trégua na escalada da guerra comercial com Pequim. "Vamos fazer um bom acordo com a China, tenho certeza", afirmou. Trump também disse que "não imaginava que a suspensão das tarifas teria todo esse impacto".
Os EUA esperam firmar um acordo com a China e com os demais países afetados pelas tarifas recíprocas anunciadas na semana passada e que entrariam em vigor nesta quarta-feira (as tarifas mínimas, de 10%, já estão em vigor desde o sábado, 5). Segundo o republicano, o governo chinês está disposto a negociar as sobretaxas, mas "ainda não sabem como começar" as conversas.
Trump também afastou a possibilidade de uma escalada para além do campo comercial com a China, elogiando o presidente chinês: "Xi Jinping é uma das pessoas mais inteligentes do mundo" e "não deixaria conflito com EUA escalar além do lado comercial", afirmou em coletiva de imprensa no Salão Oval.
"Quero acordos justos para todos. Nada está terminado ainda", declarou Trump. Ele afirmou que "as pessoas estavam saindo da linha, por isso pausei as tarifas", mas destacou que a suspensão das tarifas recíprocas será temporária. "Reverti as taxas só por um curto período de tempo", disse, defendendo que é preciso certa "flexibilidade" nas decisões.
"Estamos fazendo US$ 2 bilhões por dia com tarifas", disse Trump. "Vamos ver como vai ficar agora" após a pausa de 90 dias. Sobre o aplicativo TikTok, afirmou que "o acordo ainda está na mesa" e que "a China não está muito feliz em assiná-lo agora", mas que acredita que "a China quer, sim, assiná-lo". Quando perguntado se se encontraria com o presidente chinês Xi Jinping, respondeu: "Sim, me encontraria normalmente com Xi Jinping. Gosto muito dele, eu o respeito muito".
O presidente voltou a afirmar que a economia dos EUA não seria "sustentável" sem a imposição de tarifas a produtos importados. "Eu apenas apertei o gatilho. (Joe) Biden já deveria ter feito isso há muito tempo", provocou.
Trump avaliou ainda que os efeitos da medida estão sendo mais rápidos do que o previsto. "Acho que tudo está funcionando mais rápido do que eu imaginava. Nós estamos em uma transição para virarmos um país ainda melhor", disse. De acordo com ele, após a aplicação das tarifas, montadoras e fabricantes de semicondutores têm se deslocado "de maneira muito rápida" para os Estados Unidos.
O republicano também mencionou, de forma breve, que considera "insustentável" para a Apple continuar fabricando grande parte de seus iPhones na China. Ele insinuou que a produção deveria ser transferida para o território americano. Além disso, afirmou que pretende "analisar isenção de algumas empresas americanas com o tempo", para mitigar eventuais impactos das tarifas.
Alívio, depois de corrida no mercado de títulos
Antes da coletiva, Trump conversava com aliados e demonstrava aparente satisfação com a recuperação do mercado acionário dos EUA. Na fala à imprensa, destacou que "o mercado de títulos está lindo agora", em referência à reação positiva após o anúncio de flexibilização tarifária.
A mudança abrupta de rumo, com a pausa nas tarifas recíprocas, ocorreu em meio a uma liquidação de títulos americanos, que geralmente são investimentos mais seguros, e após dias de perdas profundas nos mercados financeiros em todo o mundo. Economistas expressaram sérias preocupações de que os Estados Unidos pudessem estar caminhando para uma recessão de sua própria autoria.
Mais cedo, Robin Brooks, do Brookings Institution, observava que a liquidez no mercado de Treasuries (os títulos do governo americano) estavam se deteriorando, embora ainda sem chegar aos níveis críticos de março de 2020, à época do início da pandemia de covid. "Naquela época, a pressão começou nos mercados emergentes e se espalhou para os Treasuries. Agora, o risco é parecido: se a China promover uma desvalorização significativa, os emergentes vão implodir — e o mesmo acontecerá com a operação de basis trade em Treasuries", alerta.