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Tragédia de Brumadinho paralisa venda de R$ 1 bi da Usiminas

Após resolver uma longa briga societária, a siderúrgica tentava se desfazer da Musa, seu braço de extração de minério

7 fev 2019 - 05h12
(atualizado às 08h48)
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As negociações para a venda do negócio de mineração da siderúrgica Usiminas travaram, apurou o Estado com fontes a par do assunto. As conversas foram interrompidas na semana passada, poucos dias após o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que pertence à Vale.

Localizada em Serra Azul, na região conhecida como Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, a Musa está próxima aos negócios da ArcelorMittal e da Ferrous. Adquirida pela Usiminas no início dos anos 2000, a empresa tem capacidade de produção estimada em 12 milhões de toneladas de minério de ferro.

Embora o volume de produção seja considerado pequeno - a capacidade da Vale é de cerca de 400 milhões de toneladas anuais -, a produção da Musa é tida como estratégica para alimentar o consumo de matéria-prima das indústrias siderúrgicas de Minas Gerais.

Local de colapso de barragem da Vale em Brumadinho, MG
01/02/2019
REUTERS/Adriano Machado
Local de colapso de barragem da Vale em Brumadinho, MG 01/02/2019 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Adriano Machado / Reuters

Vallourec

O BTG Pactual também tinha o mandato, até o ano passado, para a venda da mina Pau Branco, que pertence à francesa Vallourec. O ativo, avaliado à época em cerca de US$ 500 milhões, chegou a ser avaliado pela ArcelorMittal e Vale, mas o grupo francês decidiu suspender o processo de venda.

Tanto a mina da Vallourec quanto a da Musa são consideradas mais seguras do que a da Vale, em Brumadinho. No caso da Musa, a extração do minério é conhecida como alteamento para jusante (em que o dique é separado por argila compactada), enquanto a extração da Vallourec é a seco.

Verticalização. O movimento de verticalização da cadeia siderúrgica - que passou a ser dona de minas para baratear a produção de aço - começou a intensificar nos anos 2000, segundo fontes de mercado. Mas, desde 2015, com o excesso de oferta de minério, as siderúrgicas do País começaram a se desfazer de ativos para reforçar o caixa.

A CSN, do empresário Benjamin Steinbruch, não descartava até pouco tempo atrás a entrada de um sócio na Casa de Pedra, seu negócio de mineração. No entanto, o rearranjo societário com o grupo asiático Namisa esfriou a necessidade de buscar um novo investidor para o negócio, segundo fontes.

Procurada, a Usiminas informou que "o processo de avaliação estratégica do ativo com o BTG Pactual segue em andamento e que não há, neste momento, fatos novos relativos às negociações". Arcelor Mittal, Vale e Vallourec não comentaram. A Sumitomo não retornou os pedidos de entrevistas.

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