TotalEnergies e Petrobras compram área ao norte da descoberta de Mopane, na Namíbia
A petroleira francesa TotalEnergies e a Petrobras adquiriram, cada uma, uma participação de 42,5% em uma licença de exploração offshore na Namíbia, já que ambas as empresas buscam desenvolver petróleo em uma das últimas fronteiras de exploração do mundo.
A aquisição das participações na licença PEL104 marca uma expansão das participações da Total no país africano, onde espera ser a primeira a produzir petróleo até o final da década.
É também um passo à frente para a Petrobras em seus planos de transformar a África em sua principal região de exploração fora do Brasil.
As empresas petrolíferas que procuram reabastecer suas reservas têm migrado para a Namíbia, que não tem produção de hidrocarbonetos, depois que uma série de descobertas de grande visibilidade mostrou que o país africano poderia se tornar um dos 15 maiores produtores de petróleo na próxima década.
PARCEIROS HÁ MAIS DE UMA DÉCADA
A Total, que operará a PEL104, já possui a Venus, um desenvolvimento de 150 mil barris por dia ao sul, bem como uma participação operacional de 40% na enorme descoberta Mopane da Galp, estimada em mais de 10 bilhões de barris de petróleo.
A Petrobras e a TotalEnergies, que adquiriram as licenças por um valor não divulgado da Maravilla Oil and Gas e da Eight Offshore Investments Holdings, têm parcerias em ativos petrolíferos no Brasil há mais de uma década.
"Estamos muito satisfeitos em expandir nosso portfólio e continuar explorando os recursos prolíficos da Namíbia, a fim de revelar mais valor que beneficiará o país e todas as partes interessadas", disse Nicolas Terraz, presidente de exploração e produção da Total, em um comunicado.
TODOS OS OLHOS VOLTADOS PARA NAMÍBIA
A Petrobras foi uma das 12 empresas, incluindo a Exxon e a Shell, que disputaram a participação na Mopane, que a Total conquistou em dezembro.
"Olhamos com atenção a costa oeste Africana e as boas oportunidades na África", disse Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, acrescentando que a costa africana é geologicamente semelhante à do Brasil.
A Petrobras adquiriu participações em campos offshore na África do Sul e São Tomé e Príncipe nos últimos dois anos, na esperança de se beneficiar de seu conhecimento sobre essa geologia complexa, que levou a Shell a fazer baixa contábil em seus ativos na Namíbia como não-comerciais e a Total a sinalizar custos de desenvolvimento mais altos.
Para a TotalEnergies, que obteve entre 25% e 40% de seu petróleo e gás da África nas últimas duas décadas, a Namíbia representa a chance de reabastecer suas reservas, enquanto projetos em Moçambique e Uganda enfrentam obstáculos financeiros e de segurança.
Quando o negócio for finalizado, a Maravilla deixará de deter uma participação, enquanto a Eight permanecerá com 5% e a Namcor, empresa de petróleo da Namíbia, deterá 10%.