AACD: mercado de trabalho é último passo de reabilitação
A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) no período de 2006 a 2010, através do Programa de Trabalho Eficiente (PTE), inseriu 1.244 profissionais com deficiências físicas no mercado de trabalho formal, mas a busca de uma vaga de trabalho não pode ser tratada de forma isolada. A entrada no mercado profissional deve ser a última etapa de um processo de reabilitação, segundo a supervisora administrativa do programa, Marta Mendonça.
"A inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, para nós, é a etapa final da reabilitação. Não adianta nada, a equipe toda fazer um investimento, inclusive emocional, e depois a pessoa vai pra casa. Nosso objetivo é fazer o fechamento da reabilitação com a inclusão profissional", diz Mendonça.
Assim, antes de buscar uma vaga, o programa se utiliza de parceiros (tanto ONGs quanto empresas privadas) para fornecer qualificação aos profissionais com deficiência, que recebem, por exemplo cursos de idiomas, informática e até cursos superiores ou profissionalizantes.
Incluir cadeirante é o maior desafio
Segundo Marta, a maior dificuldade encontrada pela AACD tem sido encontrar emprego para as pessoas que utilizam cadeira de rodas. "Mesmo qualificado, o cadeirante tem uma dificuldade muito grande de entrar no mercado de trabalho, em função da acessibilidade. Não só de transporte, mas a acessibilidade dentro das empresas", explicou.
"Quando uma empresa nos passa o perfil do profissional que quer contratar, uma das primeiras coisas que colocam é não ser cadeirante. Hoje, em média, 80% das empresas pedem não cadeirante quando abrem uma vaga".
Na tentativa de amenizar este problema, o programa faz um trabalho de sensibilização dos empresários, envolvendo dinâmicas de grupos e visitas institucionais.
"Estamos engatinhando, é um trabalho de formiga ainda, mas estamos tendo resultados muito positivos. Toda uma cultura tem que ser modificada, que o tempo ainda não fez. As empresas ainda estão contratando em função da lei de cotas, essa obrigatoriedade ainda está muito presente", concluiu Marta.