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Taxas futuras viram para o negativo no Brasil após comentários de Powell

1 dez 2023 - 16h50
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Comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a inflação nos Estados Unidos, considerados mais amenos pelo mercado financeiro, fizeram as taxas dos DIs migrarem do positivo para o negativo no Brasil durante a tarde desta sexta-feira e fecharem em baixa.

Até o início das declarações de Powell em evento nos EUA, às 13h, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) sustentavam ganhos, a despeito de os rendimentos dos Treasuries oscilarem no negativo.

A baixa no exterior ocorria na esteira da divulgação do PMI do setor industrial dos EUA, medido pelo Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM), que permaneceu em 46,7 no mês passado, abaixo da estimativa de 47,6 dos economistas consultados pela Reuters. Foi o 13º mês consecutivo em que o PMI ficou abaixo de 50, o que indica contração.

A avaliação era de que o PMI foi mais um dado econômico que corrobora a visão de que o Fed manterá a taxa de juros no curto prazo sem alterações, podendo iniciar um ciclo de cortes ainda no primeiro semestre de 2024.

Ainda assim, no Brasil as taxas futuras subiam no início da tarde, em um movimento de recomposição técnica após quatro sessões consecutivas de baixa.

A fala de Powell mudou o cenário. O chair do Fed observou que uma medida importante de inflação ficou em média em 2,5% nos seis meses até outubro, perto da meta de 2%, e que está claro que a política monetária nos EUA está desacelerando a economia como esperado, com uma taxa básica "bem em território restritivo".

Os comentários foram considerados amenos -- ou "dovish", no jargão do mercado -- e pesaram ainda mais sobre os rendimentos dos títulos norte-americanos. No Brasil, as taxas futuras migraram para o negativo.

"Sempre que o Powell vai falar, o mercado espera por uma postura mais hawkish (dura) em relação à inflação. E hoje (sexta-feira) ele foi mais tranquilo", pontuou Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos. "Os juros no Brasil estavam para cima, mas com o Powell falando eles vieram abaixo."

Segundo Mota, os comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo, também foram monitorados pelo mercado.

No início da tarde, Campos Neto afirmou que as expectativas de inflação implícitas nas operações do mercado mostraram uma pequena melhora. Porém, conforme o presidente do BC, com as variáveis conhecidas hoje, o ritmo de corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic segue sendo apropriado. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.

Profissional ouvido pela Reuters pontuou que o comentário de Campos Neto "confirmou" a fala do diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento na véspera, quando citou um cenário "mais benigno" para a inflação. Para Galípolo, há atualmente maior pressão do mercado para aceleração dos cortes de juros no Brasil. Porém, ele enfatizou a postura de cautela do BC diante das incertezas.

Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,275%, ante 10,315% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,9%, ante 9,96% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 10,02%, ante 10,062%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,29%, ante 10,323%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,72%, ante 10,733%.

Perto do fechamento a curva a termo precificava em 99% as chances de o corte da Selic em dezembro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. As chances de corte de 0,75 ponto percentual estavam em 1%.

Às 16:37 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 12,20 pontos-base, a 4,2281

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