Taxas dos DIs voltam a cair com estrangeiros comprando o "pacote Brasil"
As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em baixa, em especial entre os contratos de longo prazo, em paralelo ao avanço firme da bolsa de valores brasileira, com investidores estrangeiros atuando na compra de ativos do país.
No fim da tarde, a taxa do Depósitos Interfinanceiros (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,015%, em baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 13,027% da sessão anterior. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,595%, com recuo de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,651%.
Como em sessões anteriores, o Ibovespa acelerou os ganhos perto da metade da sessão desta sexta-feira, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que, na ausência de notícias negativas sobre o Brasil, investidores estão aproveitando para comprar ações e vender taxas longas nos DIs. Este seria o "pacote Brasil", que vem sendo favorecido pela rotação global de portfólios e pelo alívio das tensões relacionadas à Groenlândia.
Na mínima do dia, às 12h27, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 13,555%, em baixa de 10 pontos-base ante o ajuste da véspera, para depois encerrar a sessão regular em 13,595%. O saldo da semana -- marcada por forte pressão na terça-feira e por alívio na curva nos dias seguintes -- foi de baixa acumulada de 13 pontos-base no DI para janeiro de 2035.
Na quarta e na quinta-feira, as taxas dos DIs já haviam cedido em sintonia com a queda firme do dólar ante o real, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa e à diminuição das preocupações relacionadas à Groenlândia. Na quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado um acordo que garante acesso total do país à ilha.
Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries demonstraram certa acomodação também nesta sexta-feira. Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- tinha estabilidade, a 4,251%
Pela manhã, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, para apurar irregularidades ligadas ao Banco Master.
Em meio ao noticiário envolvendo as fraudes bancárias, o Banco Central publicou nota afirmando que seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, "obviamente jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas" do Banco Master pelo BRB.Os agentes seguem precificando que o Banco Central manterá a taxa básica Selic em 15% em sua reunião da próxima semana, mas há dúvidas sobre o que será feito em março.
No mercado de opções de Copom da B3, na última quarta-feira -- dados mais recentes -- havia 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em março, 32,25% de chance de corte de 50 pontos-base e 25,10% de probabilidade de manutenção.
"Nossa expectativa é de que o ciclo de cortes da Selic comece em março, com um corte de 0,25 ponto percentual, e ganhe tração em abril, com redução de 0,50 ponto percentual", informou nota do C6 Bank assinada pelo economista-chefe do banco, Felipe Salles.