Taxas dos DIs fecham em queda após índice de preços abaixo do esperado nos EUA
As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em queda, acompanhando o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior após os EUA registrarem deflação maior que o esperado pelo mercado em junho.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,87%, com baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,011% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,3%, com recuo de 8 pontos-base ante 14,381.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho, mais que a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados.
O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, ficou estável em junho e subiu 2,6% na base anual -- menos que os 2,9% anteriores.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a surpresa tanto no índice cheio quanto no núcleo "reforça a leitura de arrefecimento da inflação americana no curto prazo".
"Esse arrefecimento, porém, deve-se principalmente à queda pontual dos preços de energia em junho, favorecida pela trégua no conflito do Oriente Médio, que já reverteu nas últimas semanas com a volta da escalada e do petróleo em alta", acrescentou.
O CPI foi bem recebido pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal Reserve subirá sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês.
Com isso, os rendimentos dos Treasuries despencaram, colocando a curva brasileira também para baixo, em paralelo ao recuo firme do dólar ante o real, para menos de R$5,10.
Após marcar o nível máximo de 14,065% (+5 pontos-base) às 9h09, antes do CPI, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,860% (-15 pontos-base) às 12h25, já após a divulgação dos números. A taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,250% (-13 pontos-base) às 12h23.
No fim da manhã, a atuação do Tesouro no leilão regular de títulos no Brasil corroborou a baixa das taxas dos DIs. O órgão vendeu 1,250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, e apenas 150 mil Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-Bs), papéis vinculados à inflação.
Como vem ocorrendo nas últimas semanas, o Tesouro optou por uma oferta pequena de NTN-Bs para não gerar uma pressão de alta de taxas na curva a termo brasileira.
No exterior, além do CPI, os investidores seguiram monitorando o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito dos navios de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos EUA como "pirataria".
Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 7 pontos-base, a 4,189%. O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,579%.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.