Taxas caem com mercado elevando apostas de corte de 50 pontos-base da Selic em março
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) abriram a quinta-feira com baixas firmes e aumento das apostas do mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai reduzir a Selic em 50 pontos-base em março, após ter indicado na véspera a intenção de começar o ciclo de cortes.
Às 9h40, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,715%, em queda de 7 pontos-base ante o ajuste de 12,787% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,325%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,338%.
Na noite de quarta-feira o Copom anunciou a manutenção da taxa básica Selic em 15% ao ano, como era largamente esperado, mas deixou claro que poderá iniciar o ciclo de cortes em março.
"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta."
Em reação à perspectiva de corte da Selic em março, as taxas dos DIs iniciaram a quinta-feira em baixa firme, em especial nos vencimentos entre janeiro de 2028 e janeiro de 2030, com os investidores ajustando posições para o próximo encontro do Copom.
A curva precifica nesta manhã de quinta-feira 82% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, contra 18% de chance de redução de apenas 25 pontos-base. Na véspera, antes do Copom, a precificação girava em torno de 60% e 40%, respectivamente, com os investidores já enxergando chances maiores de um corte de 50 pontos-base em função da queda firme do dólar, para perto de R$5,20. A indicação de corte em março dada na noite de quarta-feira pelo Copom aumentou as apostas em 50 pontos-base.
"Mesmo com a linguagem conservadora (do comunicado do Copom), o mercado acha que é mais provável 50 que 25 (de corte)", comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.
O recuo das taxas dos DIs contrasta com ambiente mais acomodado no exterior, onde os rendimentos dos Treasuries oscilam próximos da estabilidade. Às 10h26 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- mostrava estabilidade, a 4,253%.
Na tarde de quarta-feira, o Fed havia anunciado a manutenção de sua taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, como era esperado, mas o chair da instituição, Jerome Powell, manteve durante entrevista um tom "hawkish" ao tratar da política monetária.
No Brasil, os agentes também acompanharam nesta manhã entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, na qual ele reiterou a intenção de deixar o governo, pontuando que fará isso em fevereiro.
Haddad também comemorou a indicação do BC de que começará a cortar juros em março. Segundo ele, isso permitirá levar a dívida pública para um "patamar melhor", já que boa parte dela é indexada à Selic.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 10h26 desta quinta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 13,5 13,526 -0,026
JAN/28 12,715 12,787 -0,072
JAN/29 12,725 12,792 -0,067
JAN/30 12,905 12,964 -0,059
JAN/31 13,055 13,102 -0,047
JAN/35 13,325 13,338 -0,013