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Galípolo não demorou para atuar no caso Master e liquidação ocorreu sem 'pirotecnia', diz Haddad

Ministro disse ter acompanhado o caso porque envolvia o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e poderia causar prejuízo fiscal, com o risco de 'jogar no colo' da Receita Federal

29 jan 2026 - 11h10
(atualizado às 13h04)
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o problema do Banco Master ganhou visibilidade nos órgãos de Estado em 2024. Segundo ele, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha consciência "do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor" quando assumiu a presidência da autoridade monetária, em 2025.

"Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária, possivelmente, da história do Brasil", disse Haddad em entrevista ao portal Metrópoles.

"A gestão Gabriel Galípolo não demorou a atuar no caso Master. Eu sei porque eu acompanhei de perto. Eu tomei conhecimento nas primeiras semanas da gestão do Gabriel da gravidade da situação, e o Gabriel tomou todas as providências necessárias", defendeu Haddad.

Galípolo foi indicado pelo ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucedendo a Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro disse ter acompanhado o caso porque envolvia o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e poderia envolver prejuízo fiscal, com o risco de "jogar no colo" da Receita Federal. "Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, todos os procedimentos foram: 'Vamos levar às últimas consequências o que aconteceu'", continuou.

Haddad disse acreditar que as investigações vão levar a eventuais responsabilizações e defendeu que a liquidação do banco foi feita "com muito cuidado" e centrada na técnica. "Tem que fazer com muita seriedade, sem pirotecnia, e isso foi feito."

Investigação foi aberta por determinação do presidente do BC, Gabriel Galípolo
Investigação foi aberta por determinação do presidente do BC, Gabriel Galípolo
Foto: Estadão Conteúdo

Corte de juros

O ministro afirmou que a esperada trajetória de queda na taxa básica de juros deve levar o indicador da dívida pública para um patamar "razoável".

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, por decisão unânime. O colegiado indicou, contudo, que deve começar o processo de corte na próxima reunião, em março.

O ministro ponderou que a taxa de juros atual está em patamar "incompatível com a estabilidade da dívida". Pelo último balanço, a dívida bruta do Governo Geral subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro passado. Em outubro, ela estava em 78,4%.

Pesaram, nesse aumento, os juros nominais apropriados, as emissões líquidas de dívida e a variação do PIB nominal. Haddad negou que esse crescimento tenha sido causado pelo déficit primário, ao mencionar que houve redução exponencial nesse parâmetro entre despesas e receitas na atual gestão.

"Se o aumento da dívida tivesse a ver com déficit primário, em 2020 teria explodido, quando foi gasto 25% do PIB para combater a pandemia e morreram 700 mil pessoas porque não sabiam o que fazer com o dinheiro", declarou em críticas ao governo anterior.

Medidas 'pró-mamata'

Haddad fez um balanço de resultados econômicos do governo atual e avaliou que, além da limitação do crescimento das despesas, houve tentativa de acabar com medidas "pró-mamata". Ele se referia aos benefícios fiscais para um número pequeno de agentes empresariais, sem mencionar nomes.

Segundo ele, a vasta maioria não recebe tais benefícios. "99% dos empresários brasileiros estão trabalhando em suas indústrias, oficinas, lojas, escritórios, sem pedir benefícios fiscais aqui (em Brasília)", avaliou o ministro.

Sobre as contas públicas, Haddad voltou a comentar que o déficit primário do atual mandato do presidente Lula será 70% menor do que o do governo anterior. Ele mencionou que o governo herdou dez anos de saldo negativo no resultado primário, buscando "consertar" estragos ao assumir a gestão em 2023.

O ministro avaliou ainda que as pessoas mais pessimistas com o Brasil estariam "começando a dar o braço a torcer" com resultados econômicos do terceiro mandato do presidente Lula e medidas estruturais realizadas. Na avaliação dele, foi feita uma "pequena revolução" no Brasil na parte tributária e também mudanças relevantes no setor de crédito.

Saída do governo

Haddad voltou a dizer que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, como seu sucessor. Ele disse que cabe ao presidente fazer o anúncio. "O mês de fevereiro, com certeza", declarou.

"Dario sempre serviu a governo progressistas. Ele ter passado pelo mercado é ponto para ele, significa que ele traz para o setor público o conhecimento de como funciona setores relevantes. Ele tem um conhecimento realmente abrangente, uma pessoa de formação muito sólida", declarou.

A mudança na equipe econômica ainda depende da aprovação do presidente Lula. Haddad reafirmou isso e reconheceu que há outros perfis que podem ser cotados para a Fazenda. "Dentro do PT tem muita gente que pode se colocar", disse. O ministro negou eventual resistência ao nome de Dario dentro do PT.

Anteriormente, Haddad já havia sinalizado que pretende deixar a Fazenda em fevereiro, para contribuir com a campanha à reeleição de Lula. Diversos ministros devem anunciar em breve suas saídas para disputar as eleições.

Estadão
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