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Política

Haddad diz que não conhece Vorcaro e cita financiamento a Bolsonaro e Tarcísio

Ministro da Fazenda diz que havia 'rumor' em 2024 sobre problemas no Banco Master, mas não indícios de crime ou fraude

29 jan 2026 - 11h14
(atualizado às 13h04)
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relembrou que o "rumor" sobre problemas no Banco Master existia desde 2024, mas não havia indício de crime nem de fraude, parecia apenas "um negócio malfeito, que parecia que não ia dar certo".

Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad sustentou que "essas pessoas são muito sedutoras". "Tinha muito rumor de que as coisas não estavam andando bem, mas era um 'disse-me-disse'", completou.

Questionado se teria alertado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em 2024, Haddad respondeu: "Eu não conheço essa pessoa (Vorcaro). Até outro dia, eu não saberia se ele estava no ambiente ou não, porque não tinha visto sequer foto dele. Não conheço essa pessoa, nem ele nem ninguém da família dele, nem primo, nada".

O ministro disse não ter recebido Vorcaro. "Eu quis me preservar, mas eu não tinha elementos para negar uma audiência. Eu me encontro com muito empresário", pontuou.

Haddad falou ainda que "essa turma, essa família" foi o maior financiador das campanhas políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O cunhado de Vorcaro, Fabianol Vettel, foi o maior doador pessoa física das campanhas de 2022 de Bolsonaro e Tarcísio.

Para Haddad, o financiamento de família Vorcaro a campanhas é importante, porque vai orientar investigações, mas ele salientou que as apurações sobre ligações de pessoas com o Master e com Vorcaro têm que ser sérias.

O titular da Fazenda defendeu que a Polícia Federal (PF) vai investigar "braços" da instituição financeira. "Eu não sei onde vai chegar, em quem vai chegar, o importante é chegar. O importante é que a polícia não tenha trava para fazer o trabalho dela, sem politização, sem caça às bruxas, sem querer carimbar agremiações partidárias - tem gente no PL que é decente, tem gente que pode não ser e assim vale para todos."

Haddad diz que gestão de Galípolo não demorou a atuar no caso Master

Segundo Haddad, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha consciência do "do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor" quando assumiu a presidência da autoridade monetária, em 2025. "Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária, possivelmente, da história do Brasil", disse.

"A gestão Gabriel Galípolo não demorou a atuar no caso Master. Eu sei porque eu acompanhei de perto. Eu tomei conhecimento nas primeiras semanas da gestão do Gabriel da gravidade da situação e o Gabriel tomou todas as providências necessárias", defendeu Haddad. Galípolo foi indicado pelo ministro ao presidente Lula, sucedendo a Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro disse ter acompanhado o caso porque envolvia o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e poderia envolver prejuízo fiscal, com o risco de "jogar no colo" da Receita Federal. "Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, todos os procedimentos foram: 'Vamos levar às últimas consequências o que aconteceu'", continuou.

Haddad disse acreditar que as investigações vão levar a eventuais responsabilizações e defendeu que a liquidação do banco foi feita "com muito cuidado" e centrada na técnica. "Tem que fazer com muita seriedade, sem pirotecnia, e isso foi feito".

Politizar CPI do Master é beneficiar criminosos, diz Haddad

Haddad afirmou também que politizar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banco Master é um caminho para beneficiar os criminosos. Para ele, punir os culpados individualizados fortalece as instituições.

"Se politizar, no mal sentido da palavra, ela beneficia o criminoso. Se você quer a verdade, e aí não importa de que igreja a pessoa é, de que partido a pessoa é, ela é punida. Não importa qual é a filiação da pessoa. Isso fortalece as instituições, fortalece o partido, fortalece a igreja, fortalece o Supremo, fortalece a Receita, fortalece a polícia", declarou a jornalistas na chegada ao Ministério.

Haddad repetiu ainda que nunca se encontrou com Daniel Vorcaro, presidente do Master, e nem o conhecia. Afirmou que não havia diálogo com o Banco Central antes da gestão de Gabriel Galípolo, que tomou providências sobre o "abacaxi" do Master assim que assumiu.

Estadão
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