Taxas caem após Galípolo falar em "calibragem" e "serenidade" na política monetária
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) oscilam em baixa nesta quarta-feira, em paralelo à leve queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com os investidores no Brasil digerindo declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo.
Às 10h14, a taxa dos DIs para janeiro de 2028 estava em 12,64%, em baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,687% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,445%, ante o ajuste de 13,455%.
Durante evento do BTG Pactual, Galípolo repetiu nesta manhã que a instituição pretende começar a "calibragem" da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano. O rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 2 pontos-base, a 4,129%.
"A partir de janeiro, a gente decide sinalizar que antevê, em se confirmando o cenário, essa calibragem da política monetária, a partir de março, justamente para que a gente consiga reunir mais confiança para iniciar este ciclo", comentou Galípolo em referência à sinalização, dada no último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), de que o ciclo de cortes da Selic começará no próximo mês.
Ele também defendeu que a instituição tenha "serenidade" em suas decisões para o restante do ano, que serão tomadas a partir dos dados econômicos, sob pena de prejudicar a própria política monetária.
No fim de janeiro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março.
Na B3, as opções de Copom precificavam na última segunda-feira -- dado mais recente -- 66,04% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 24% de chance de redução de 25 pontos-base e 4,25% de possibilidade de baixa de 75 pontos-base. Para a reunião seguinte, de abril, a precificação é de 63,71% de chance para corte de 50 pontos-base, contra 21,00% de probabilidade de 75 pontos-base.
Durante o evento, Galípolo também elogiou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, que vem sendo apontado como possível indicação do governo para comandar a diretoria de Política Econômica do BC. Ao mesmo tempo, Galípolo salientou que a decisão cabe a Lula.
O nome de Mello foi mal recebido pelo mercado em um primeiro momento.
No exterior, os agentes esperam pela divulgação do relatório de empregos payroll, dos EUA, às 10h30.