Tarifas de Trump tiveram pouco impacto no PIB de 2025 mas aumentaram receita, mostra estudo acadêmico
As tarifas impostas no ano passado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram um impacto mínimo sobre a produção econômica do país, mas geraram uma receita federal significativa e contribuíram para uma maior dissociação comercial entre os Estados Unidos e a China, segundo um novo estudo acadêmico do Brookings Institution, divulgado nesta quarta-feira.
O documento que analisa o impacto de curto prazo das tarifas de Trump constatou que seu "impacto líquido sobre o bem-estar" da economia dos EUA variou de um acréscimo de 0,1% do PIB a uma subtração de 0,13%, dependendo das suposições sobre as mudanças nos termos de troca, incluindo o grau de mudança da demanda para bens produzidos internamente.
Aqui estão outras conclusões importantes do estudo conduzido pelo economista da Universidade da Califórnia-Los Angeles, Pablo Fajgelbaum, e pelo economista da Universidade de Yale, Amit Khandelwal: * O impacto mínimo sobre o consumo real oculta grandestransferências brutas dos consumidores para os produtores, masessa distorção é amplamente compensada por maiores receitasfederais e ganhos salariais em alguns setores. * O repasse das tarifas para os preços mais altos "incluindo tarifa" é alto, de 80% a 100%. Em um cenário-base, ospesquisadores estimaram esse repasse em 90%, o que significa queapenas 10% do custo tarifário mais alto foi suportado pelosexportadores estrangeiros. * As taxas tarifárias aumentaram de 2,4% para 9,6%, o maiornível em 80 anos, mas as taxas aplicadas são menores e afetamapenas uma pequena parcela do PIB. O estudo informa que cerca de57% das importações dos EUA ainda entram sem impostos devido aoacordo comercial entre EUA, México e Canadá e às isençõestarifárias para energia e determinadas importações deeletrônicos. * A receita das tarifas cobradas em 2025 totalizou US$264bilhões, representando cerca de 4,5% do total de receitas, emcomparação com cerca de 1,6% na última década. * A participação da China nas importações dos EUA caiu paraapenas 7% em dezembro de 2025, de 23% em dezembro de 2017, antesde Trump impor tarifas punitivas sobre os produtos chinesesdurante seu primeiro mandato. Mas muitas dessas importaçõesforam transferidas para outros países. * O estudo não encontrou evidências de que as tarifas tenhamaumentado o "friend-shoring" das cadeias de oferta para paísesaliados dos EUA, que tenham aumentado o emprego no setor demanufatura dos EUA ou reduzido o déficit comercial geral. Aindanão se sabe quais são os benefícios dos recentes acordoscomerciais do governo Trump que visam a abrir mercadosestrangeiros para as exportações dos EUA.