Tarifaço de Trump: Brasil fará consulta à OMC; só falta o presidente decidir a data, diz Alckmin
A medida, contudo, tende a ter caráter simbólico, dado que o órgão de apelação da OMC está inativo pela falta de indicação do membro americano; vice-presidente fala em busca de novos mercados
BRASÍLIA - O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou, nesta segunda-feira, 4, que o Brasil fará consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) em reação ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
"O Conselho de Ministros da Camex aprovou o Brasil entrar com a consulta na OMC", informou Alckmin a jornalistas. "O presidente Lula agora vai decidir quando fazê-lo e como fazê-lo".
A medida, contudo, tende a ter caráter simbólico, dado que o órgão de apelação da OMC está inativo pela falta de indicação do membro americano.
Terminou nesta segunda-feira, às 14h, o prazo para votação eletrônica dos membros do Conselho Estratégico da Camex (CEC/Camex) da proposta para autorizar o Ministério das Relações Exteriores a acionar a OMC sobre o tarifaço de Donald Trump. A votação foi aberta na sexta-feira, 1º, e revelada com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.
A proposta prevê aval para o Itamaraty "acionar o mecanismo de solução de controvérsias da OMC sobre as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos da América a produtos brasileiros", conforme documento obtido pelo Estadão/Broadcast.
Alckmin também afirmou que o plano de contingência em relação ao tarifaço "estará pronto em questão de dias".ressaltou que "prevê crédito e compras governamentais, além de outras medidas".
Ele também comentou que médias e grandes empresas estão pedindo os benefícios do programa Acredita Exportação.
Em busca de novos mercados
O vice-presidente afirmou que o governo brasileiro está avaliando novos mercados para escoamento dos produtos exportados para os Estados Unidos, em face da sobretaxa confirmada por aquele país na semana passada.
Alckmin e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniram com representantes do agronegócio brasileiro na tarde desta segunda-feira, na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Ele explicou que a mesa diminuiu de tamanho, porque alguns setores, como o do suco de laranja, já foram excluídos da sobretaxa.
Além da redução da alíquota e/ou da ampliação da lista de isenção, Alckmin disse ter conversado com os setores sobre a possibilidade de abertura de novos mercados.
"A Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) vai se concentrar também neste mercado", disse o vice-presidente, ao lado do ministro da Agricultura.
"Nós temos uma possibilidade muito boa com União Europeia e Reino Unido, porque lá atrás houve bloqueio por questão sanitária, que pode ser superada", completou.
O ministro Fávaro, por sua vez, disse que há 398 novos mercados. "A gente, então, enxerga algumas oportunidades para ampliar isto neste momento. São mercados importantes que estão gradativamente na fila de finalizar o protocolo sanitário", afirmou. Ele citou como exemplo a retomada da exportação de pescado para o Reino Unido e para a comunidade europeia.
"É um processo que a gente vai intensificar para minimizar os impactos, e isso é estruturante, porque coloca o Brasil, cada vez mais, nas oportunidades internacionais", defendeu o titular da Agricultura.