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STF está trabalhando em súmula sobre medidas com impacto para contas públicas, diz Durigan

Ministro afirmou que tem dividido com o Supremo a preocupação com várias medidas em discussão que 'podem comprometer o futuro do País, o futuro da estabilidade fiscal'

17 jun 2026 - 21h43
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BRASÍLIA - Após reuniões no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que conversou com o presidente do Supremo, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes, sobre as "pautas-bomba" em tramitação no Congresso.

Durigan disse ter levado a Fachin o caso da desoneração da folha de pagamentos, tema que foi tocado na gestão do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. "O Supremo reconheceu naquele momento que a desoneração da folha era um benefício que estava sendo dado para o setor sem a devida compensação", recordou Durigan.

"Naquele momento, a decisão do Supremo instou o Congresso a buscar compensação em diálogo institucional com o governo, quando a gente, então, aprovou uma lei no fim de 2024, prevendo algumas compensações à desoneração da folha".

STF está trabalhando em súmula sobre medidas com impacto para contas públicas, diz Durigan
STF está trabalhando em súmula sobre medidas com impacto para contas públicas, diz Durigan
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Ele disse que tem dividido com o Supremo a preocupação com várias medidas em discussão que não afetam apenas o orçamento deste ano, "mas podem comprometer o futuro do País, o futuro da estabilidade fiscal".

Segundo Durigan, os ministros informaram que há uma proposta de súmula sendo debatida pelo Supremo sobre o tema das contas públicas. A súmula é um documento que resume a jurisprudência de um Tribunal sobre determinado assunto. A Corte já tem precedentes que impedem a criação de despesas ou renúncia de receitas sem estimar o impacto fiscal e apontar a fonte de custeio.

"Seria muito importante que o Supremo avançasse nesse tema, para que a gente tivesse também esse respaldo de uma condição de possibilidade mínima, como o ministro Fachin colocou, também colocado pelo Supremo nesse debate", afirmou.

"Eu também vou procurar conhecer o texto para depois me manifestar", completou o ministro. E voltou a frisar que pautas-bomba são ruins para o País, "porque depois o próximo governo fica com surpresas, como eu tive surpresas a partir de 2023, com a ideia de deixar um orçamento bem organizado para a próxima gestão".

Na semana passada, os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento informaram que nove proposições em tramitação no Congresso Nacional representam, em conjunto, impacto fiscal estimado em R$ 111 bilhões por ano.

Porém, como mostrou o Estadão, enquanto o governo Lula cobra responsabilidade fiscal dos parlamentares, o Executivo editou ou sancionou dez medidas de renúncia de receita em 2025 sem cumprir integralmente as regras que exigem estimativa de impacto, memória de cálculo detalhada e compensação financeira.

De 21 desonerações instituídas no ano passado, dez foram criadas sob irregularidades, segundo o Tribunal de Contas da União(TCU) no julgamento das contas presidenciais de Lula.

Estadão
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