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Startup brasileira usa IA para destravar R$ 8 bilhões em estoque parado na moda

Mercado Único conecta 11 marcas a mais de 2 mil lojistas e capta R$ 3 milhões ao criar um novo canal para vender coleções passadas sem afeta

10 abr 2026 - 04h57
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Leonardo Mencarini é CEO & Co-fundador do Mercado Único
Leonardo Mencarini é CEO & Co-fundador do Mercado Único
Foto: Divulgação

O excesso de estoque na moda movimenta bilhões, mas ainda escapa ao controle das marcas. Peças encalham, margens evaporam e o impacto ambiental cresce junto.

É nesse cenário que o Mercado Único tenta abrir um novo canal. Fundada em 2024, a startup criou uma plataforma B2B, modelo de negócios entre empresas, para redistribuir coleções passadas com apoio de inteligência artificial. Hoje, conecta 11 marcas a mais de 2 mil lojistas e já levantou R$ 3 milhões com fundos como Techstars e Strive.

A tese ganha força em um momento de mudança estrutural no setor. A indústria global gerou entre US$ 70 bilhões e US$ 140 bilhões em estoque excedente em 2023, segundo relatório da Business of Fashion com a McKinsey. No Brasil, esse volume pode chegar a US$ 8 bilhões. Ao mesmo tempo, lojistas passaram a comprar online e consumidores ampliaram a demanda por peças com desconto.

“O estoque remanescente continua com valor comercial. Muitas vezes ele apenas não encontrou o canal de venda adequado”, afirma Leonardo Mencarini, CEO e cofundador. “O que estamos construindo é uma infraestrutura tecnológica que conecta esse estoque a lojistas que realmente têm potencial para vender os produtos, preservando o posicionamento das marcas.”

O plano agora é escalar sem perder controle — um equilíbrio que define o futuro da empresa. A startup quer ampliar categorias, refinar o uso de dados e crescer a base de clientes mantendo o modelo fechado.

De vinho à moda: a origem da tese

Antes de fundar o Mercado Único, Mencarini criou a marca de vinhos Veroni, vendida em 2021. Foi na prática da distribuição que identificou um padrão: excesso de oferta mal direcionada.

A leitura se repetia em diferentes setores, mas ganhava escala na moda, onde coleções são planejadas com antecedência e a demanda nem sempre acompanha. O resultado são milhares de peças paradas, mesmo quando o produto teve boa aceitação.

“Uma marca pode produzir 20 mil unidades de um vestido e vender 18 mil peças. Ainda assim, as 2 mil restantes precisam encontrar um novo caminho de venda”, afirma.

A partir daí, a proposta foi estruturar um canal específico para esse tipo de produto, com controle maior sobre distribuição e preço.

Como funciona o modelo com inteligência artificial

O Mercado Único opera como um outlet atacadista digital, ou seja, um canal de liquidação no modelo B2B. Em vez de vender peça a peça, a plataforma organiza lotes de produtos com base em dados.

A inteligência artificial cruza informações como categoria, tamanho, preço e histórico de vendas com o perfil dos lojistas. O objetivo é aumentar a chance de giro.

“Nosso modelo é baseado na venda em lotes. A inteligência artificial faz um raio-x do lojista e estruturamos ofertas com alto potencial de venda”, afirma Mencarini.

Essa lógica tenta resolver uma ineficiência clássica do setor: canais tradicionais operam de forma genérica, enquanto a demanda varia por região. Uma loja no Mato Grosso pode buscar peças de verão e preços mais baixos; no Sul, a demanda muda para inverno e maior valor agregado.

O desafio de preservar marca com desconto

Vender estoque parado sem afetar o posicionamento sempre foi um dos principais entraves para grandes grifes.

O Mercado Único aposta em um modelo fechado. Apenas lojistas aprovados têm acesso às ofertas, e cada marca define regras específicas — como localização, volume e perfil de venda.

“Não fazemos anúncios públicos mostrando marcas ou preços. Somos um canal discreto e controlado de liquidação”, afirma Mencarini.

A escolha limita a exposição, mas também restringe escala. Para o fundador, esse é justamente o ponto de equilíbrio.

“Manter o ambiente controlado é essencial para construir relações de longo prazo com as marcas.”

Entre eficiência e sustentabilidade

Além da pressão financeira, o excesso de estoque virou um problema ambiental. A indústria da moda responde por cerca de 1,2 bilhão de toneladas de CO₂ por ano, segundo a Ellen MacArthur Foundation.

Peças não vendidas ampliam esse impacto sem cumprir seu ciclo de uso.

“O Mercado Único atua prolongando o ciclo de vida das peças e reduzindo desperdício, ao mesmo tempo em que gera retorno financeiro”, afirma Mencarini.

Na prática, a decisão das marcas ainda passa pela margem, mas a agenda de ESG, práticas ambientais, sociais e de governança, começa a ganhar peso na estratégia.

Escala ainda é o principal gargalo

Mesmo com 11 marcas e mais de 2 mil lojistas, a operação ainda está no início. O desafio agora é crescer sem perder qualidade na curadoria e na experiência.

A empresa avança em três frentes: expansão para novos segmentos, como fast fashion, termo usado para moda de produção rápida, e luxo; evolução da tecnologia de matching; e reforço comercial.

“Nosso principal desafio é escalar mantendo qualidade, tanto na curadoria quanto na experiência do cliente”, afirma Mencarini.

A tese é que o problema é estrutural — e, portanto, a oportunidade também. Se conseguir equilibrar crescimento com controle, o Mercado Único pode se consolidar como uma nova camada na cadeia da moda.

Fonte: Portal Terra
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