SP mantém liderança em inovação; Nordeste ultrapassa Centro-Oeste em ranking nacional
Estado segue isolado na 1ª posição, mas Ceará lidera avanço regional e entra no top 10 nacional; estudo mostra ampliação de parques tecnológicos, tecnologia e capital humano no Nordeste
São Paulo se manteve como o Estado mais inovador do País, segundo o Índice Fiec de Inovação dos Estados 2025, coordenado pela Federação de Indústrias do Ceará (Fiec) em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Nesta edição, enquanto os líderes invictos do levantamento (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) permanecem estáveis no topo, outras regiões se movimentaram e avançaram no ranking nacional. O Nordeste ultrapassou o Centro-Oeste, impulsionado por Ceará e Pernambuco.
O objetivo do Índice de Inovação é mapear os principais aspectos relacionados à inovação de todos os Estados brasileiros (mais o Distrito Federal) e nas cinco grandes regiões do Brasil — Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. O índice é estruturado em duas dimensões: capacidades e resultados. Ele avalia infraestrutura, investimentos em ciência e tecnologia, qualificação do capital humano, solidez institucional, produção científica, geração de propriedade intelectual e dinamismo empreendedor.
O cenário visto em 2025 é resultado de um processo gradual dos últimos anos com a ampliação de polos de capital humano e investimentos em ciência e tecnologia, afirma o gerente do Observatório da Indústria do Ceará e coordenador do estudo, Guilherme Muchale.
Segundo ele, as regiões Sul e Sudeste carregam uma infraestrutura de base construída ao longo de décadas, com parques tecnológicos e uma cultura empreendedora enraizada. No entanto, mesmo com o problema de "subinvestimento histórico", o Nordeste conseguiu acelerar o crescimento de ecossistemas de inovação.
Ceará, Pernambuco e Bahia são destaque entre os 15 melhores do País no ranking geral. A Paraíba, embora esteja na 16ª posição, ganhou relevância em propriedade intelectual, já o Piauí, no 19º lugar, avançou em solidez institucional.
"Há uma concentração de Estados do Norte e Nordeste ainda nas últimas posições, mas a região vem mostrando avanços expressivos", observa Muchale.
No hall dos destaques, o Mato Grosso do Sul foi o Estado que registrou o maior avanço entre as unidades federativas na última década. O Estado subiu da 16ª posição em 2021 para a 11ª em 2025.
O desempenho inclui ganhos em infraestrutura, capital humano e resultados de inovação, além da ampliação do ecossistema empreendedor e do fortalecimento de setores estratégicos ligados à indústria e à agropecuária de base tecnológica.
Segundo o estudo, o crescimento de Mato Grosso do Sul reflete também melhores condições para a expansão de programas de pós-graduação e maior participação de empresas locais em inovação.
Data centers ajudam na posição do Nordeste
O Nordeste passou o Centro-Oeste e agora ocupa a 3ª posição regional, atrás de Sudeste e Sul. No caso do Ceará, que alcançou a 7ª posição nacional, Muchale aponta a solidez fiscal do Estado, o avanço em ciência e tecnologia e a atração de projetos da iniciativa privada como fatores decisivos para a movimentação. Além disso, há uma consolidação da educação superior com a ampliação de programas de mestrado e doutorado.
"Isso fortalece tanto as capacidades de inovação quanto os resultados. Porque há presença mais forte de setores intensivos em tecnologia e criatividade", afirma.
Ainda segundo o especialista, a instalação de data centers, somada ao crescimento de outros projetos, também contribuiu para diversificar a base produtiva e elevar a intensidade tecnológica das exportações cearenses.
Mesmo com o avanço, o coordenador do estudo pondera que ainda existem desafios estruturais. Ele cita o fortalecimento do empreendedorismo inovador no Estado, o apoio às empresas em relação à propriedade intelectual e interação com as universidades no longo prazo.
Se, por um lado, alguns Estados da região avançaram, outros perderam terreno. De acordo com o levantamento, o Maranhão registrou a maior queda dos últimos cinco anos. Nesta edição, o Estado ocupa a última posição do ranking geral. Há recuo em infraestrutura, capital humano e financiamento, sugere o estudo. Todos os itens em queda são sensíveis ao cenário fiscal, pondera Guilherme Muchale.
"Muitas vezes, em situações de restrição orçamentária, os investimentos em C&T acabam sendo cortados, porque não são obrigatórios, o que gera volatilidade nos resultados", explica.
São Paulo e outros quatro Estados seguem invictos
No topo do ranking, o que explica a estabilidade dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná nos últimos anos são as políticas de longo prazo voltadas à ciência e tecnologia.
"Há uma continuidade forte nos investimentos, uma cultura empreendedora e setores privados que pressionam pela manutenção de recursos em ciência e tecnologia", detalha Muchale.
Na perspectiva do especialista, a cascata de investimentos nas áreas de C&T gerou efeitos positivos em propriedade intelectual, transferência de tecnologia e inovação empresarial.
A 7ª edição do levantamento reuniu dados de 64 fontes diferentes e a expectativa é incluir dimensões emergentes nas próximas edições, como sustentabilidade. "O Índice vem sendo usado como bússola por formuladores de políticas públicas, gestores empresariais e instituições de fomento", resume Muchale.