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Sompo anuncia compra da seguradora Fator para avançar em seguros corporativos

Com o negócio, cujos valores não foram divulgados, empresa avança nas linhas corporativas em que a Fator mantém participação mais robusta, como seguro garantia e linhas financeiras

21 jul 2026 - 10h31
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A Sompo fechou acordo para a compra da Fator Seguradora, em um esforço para ampliar a participação no mercado de seguros corporativos. A empresa não divulgou os valores da transação, cuja conclusão está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias, como a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Sompo é a subsidiária brasileira da companhia responsável pelas operações internacionais de seguro e resseguro da Sompo Holdings, um dos três maiores grupos seguradores do Japão. No ano passado, figurou entre as 20 maiores seguradoras do Brasil, de acordo com levantamento do sindicato de corretores de São Paulo (Sincor-SP).

Com o negócio, a Sompo avança nas linhas corporativas em que a Fator mantém participação mais robusta, sobretudo seguro garantia e linhas financeiras (responsabilidade civil). A seguradora deve se tornar uma das dez maiores do mercado nesses dois ramos após a operação, segundo o CEO da Sompo no Brasil, Alfredo Lalia Neto. A aquisição também elevará a fatia da empresa no segmento patrimonial.

"A Fator é muito semelhante à Sompo em seu perfil de atuação, mas é mais forte justamente nas linhas em que ainda somos mais fracos", explicou Lalia Neto, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "Com isso, diversificamos o nosso portfólio, uma vez que somos muito fortes no ramo de transportes", acrescenta.

A operação representa uma evolução da estratégia iniciada há cerca de cinco anos, quando a Sompo decidiu abandonar o mercado de seguros massificados para focar no corporativo e no agro. Em 2023, a seguradora vendeu os negócios de varejo para a HDI Seguros.

O movimento fortaleceu a posição de capital da subsidiária brasileira, cujos recursos serão utilizados para financiar a aquisição da Fator. Segundo o CEO, a matriz detém excesso de liquidez no Japão e, por isso, tem incentivado a expansão internacional. A prática tem sido comum nos últimos anos entre as grandes empresas japonesas, diante do aumento de juros no país asiático após um longo período de deflação.

"O grupo poderia ter vendido o negócio massificado e mandado o capital lá para fora, mas a Sompo (Holdings) optou por deixá-lo aqui para crescer as operações no Brasil", ressaltou Lalia Neto.

Depois da Fator, o executivo não descarta a possibilidade de novas atividades de fusão e aquisição (M&A, na sigla em inglês) à frente, em linha com a estratégia estabelecida globalmente. De acordo com ele, a prioridade é acelerar o crescimento orgânico, mas a companhia seguirá avaliando oportunidades compatíveis com o seu modelo de negócio. "Temos bastante apetite para continuar crescendo", pontuou.

Em 2025, a Sompo registrou lucro líquido de R$ 126 milhões, um crescimento de 78% em relação ao ano anterior. Já a arrecadação com prêmios emitidos somou R$ 2,8 bilhões. Do outro lado, a Fator Seguradora lucrou R$ 46 milhões no passado, alta de 47%. Até a conclusão do processo regulatório, não haverá mudança nas estruturas das duas empresas.

Entre os mercados que a Sompo mantém visão mais construtiva após a operação, o CEO cita o de seguro garantia, que assegura o cumprimento de obrigações contratuais ao indenizar o segurado em caso de violação dos termos do contrato. Para Lalia Neto, mudanças na legislação de licitações devem impulsionar o crescimento do segmento, que ainda está distante de atingir o potencial. "Eu acredito que o mercado pode dobrar de tamanho nos próximos cinco anos com as mudanças no arcabouço regulatório", prevê.

Estadão
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