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EUA pediram ao Brasil abertura do setor químico e isenção para bens industriais, diz ministro

Ao longo de reuniões realizadas às vésperas da imposição de novas tarifas ao País, governo brasileiro recebeu de autoridades americanas pleitos classificados como inegociáveis, diz Elias Rosa

17 jul 2026 - 20h57
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BRASÍLIA - Ao longo das reuniões com os Estados Unidos, realizadas às vésperas da imposição de novas tarifas a produtos brasileiros, o governo brasileiro recebeu de autoridades americanas alguns pleitos classificados como inegociáveis, informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

"Nos afastamos, óbvia e evidentemente, de qualquer pretensão que pudesse expor ou a violação daquilo que é interesse nacional e soberania nacional - como é o caso do Pix -, ou aquilo que poderia representar um grande dano, prejuízo para o setor industrial brasileiro", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, em coletiva de imprensa realizada nessa quinta-feira, 16.

"Os Estados Unidos da América - e eu chamo atenção, porque tem algumas pessoas defendendo a posição deles - pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais, o acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano, dentre outros setores", afirmou.

Já nesta sexta-feira, questionado sobre um suposto protecionismo do setor automotivo brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil cumpre rigorosamente as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Para você importar um veículo, é 35% o imposto de importação. A Europa está aumentando agora para 45% o imposto de importação. Então, nós sempre cumprimos as regras da OMC. E os automóveis estão fora disso", argumentou o vice-presidente.

Segundo Elias, nessas discussões de alto nível com o governo norte-americano, o governo brasileiro deixou claro que "jamais celebrará" qualquer tipo de acordo que represente violação dos interesses do País e do setor produtivo nacional.

Minerais críticos

Outro tema que veio à tona durante uma das rodadas de negociações realizadas na tentativa de evitar a aplicação da sobretaxa sobre os produtos brasileiros foi o dos minerais críticos. O ministro da Indústria disse que os EUA pediram que o Brasil limitasse o investimento interno em projetos e empresas de extração de minerais críticos.

"O que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que limitassem investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com outros países, como, por exemplo, com o Reino Unido e com a Austrália. Os Estados Unidos fecharam acordos nesse sentido, com esse enunciado e isso chegou a nos ser apresentado formalmente", disse. "Obviamente, não aceitamos e não aceitaremos", prosseguiu, dizendo que minerais críticos e terras raras são estratégicos e pertencem ao Brasil.

O titular do MDIC ainda argumentou que as negociações que ocorreram ao longo das últimas semanas com o embaixador Jamieson Greer foram consideradas "cordatas" pelo próprio representante do USTR (o Escritório do Representante Comercial americano), ainda que sem sucesso. E disse que há necessidade de uniformização do discurso por parte dos EUA.

"Enquanto um fala que falta boa fé, o outro reconheceu a atuação construtiva. Porque eles não estão combinando o discurso, eles estão falando coisas díspares entre eles", criticou o ministro brasileiro.

Em publicação no X na madrugada de quinta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo brasileiro não negociaram "de boa fé" e, por isso, houve a confirmação da tarifa de importação de 25% sobre produtos nacionais. Rubio disse ainda que as políticas econômicas de Lula são ruins para os americanos e para os brasileiros.

Estadão
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