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Só nesta semana 38 bancos centrais baixaram os juros

Com ações desta semana, total de medidas na área de política monetária subiu para 62 apenas em março

21 mar 2020
17h44
atualizado às 17h50
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Londres - Nesta semana, 38 bancos centrais de todo o mundo, incluindo o Brasil, cortaram juros numa tentativa de amenizar os impactos da pandemia de coronavírus sobre a demanda e a oferta globais. Com estas ações recentes, o total de medidas na área de política monetária subiu para 62 apenas em março, algo nunca visto na história econômica global. Os números foram compilados pela Central Bank News, que acompanha as decisões de política monetária em todo o mundo.

Além de diminuir taxas, as autoridades monetárias também iniciaram uma injeção de larga escala na atividade do planeta. São trilhões de dólares que passaram a ficar disponíveis por meio de contratos de swaps, redução de reservas, corte de amortecedores de capital anticíclicos, flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) e novas linhas de crédito de baixo custo para empresas, entre outros instrumentos. No total, foram feitos pelo menos 139 anúncios - fora os juros - para estimular a economia por meio da política monetária.

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, que nesta semana cortou os juros
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, que nesta semana cortou os juros
Foto: AGÊNCIA BRASIL / Estadão

A maior parte dos cortes das taxas (40 deles) foi claramente adotada como uma medida emergencial, já que ocorreram fora do cronograma de reuniões dos conselhos de política monetária - os que seguem o sistema de meta de inflação. Foi o caso do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), por exemplo. A instituição, que acaba de mudar de comando em plena crise, terá sua reunião oficial na semana que vem, mas reduziu o juro na semana passada e voltou a diminuí-lo nesta semana, agora para 0,10% ao ano. Ao contrário de outros bancos centrais - como o Europeu (BCE) ou o do Japão (BoJ) - não há intenção do BoE de levar sua taxa para o terreno negativo.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) chamou mais a atenção ainda não por ser apenas a autoridade monetária da maior potência econômica do mundo a ter também reagido com redução dos juros ao Covid-19, mas por ter anunciado sua decisão sobre a nova taxa em pleno domingo. Apenas ontem, foram quatro os que baixaram o juro: México, Tailândia, Romênia e Namíbia.

Mais de 6 mil pontos

Considerando todas essas ações desde o início do ano, foram 85 vezes que os juros foram cortados por 55 bancos centrais diferentes. O levantamento da Central Bank News aponta que, na somatória, a taxa acumulada em todo o mundo ficou 6.453 pontos-base menor ou uma redução líquida de 6.013 pontos-base já que nem todas as atuações de 2020 foram no mesmo sentido. Em quatro países, os BCs decidiram atuar na contramão e elevaram suas taxas. Foi o caso de Dinamarca, República Tcheca, Cazaquistão e República do Quirguistão.

A taxa de política monetária global (GMPR, na sigla em inglês), que é o juros médio de 97 bancos centrais do mundo, caiu 63 pontos-base apenas este ano. Estava em 5,69% ao ano no fim de 2019 e atualmente chegou a 5,06% ao ano. Para termos de comparação, encerrou 2018 em 6,42% e estava em 5,99% no fim de 2017.

Primeiro a citar vírus

O primeiro banco central a citar o coronavírus como um motivo para sua decisão de reduzir a taxa de juros foi o do Sri Lanka, em 29 de janeiro - seis dias depois de o governo da China, onde surgiu a doença - ter imposto o "bloqueio de Wuhan" para conter a propagação. O próprio banco central chinês apenas começou a injetar liquidez em sua economia e a reduzir os juros em 3 de fevereiro.

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Estadão
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