Presidente do Banco do Japão enfatiza necessidade de atingir inflação de 2% apoiada em ganhos salariais
O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a inflação subjacente está acelerando em direção à meta de 2% do banco central, enfatizando que os aumentos de preços devem ser acompanhados por sólidos ganhos salariais.
Os comentários foram feitos antes da reunião de política monetária do banco central, que durará dois dias e terminará na quinta-feira, onde se espera manutenção da taxa de juros em 0,75%.
O aumento dos preços do petróleo com o conflito do Oriente Médio aumenta a pressão inflacionária já crescente, complicando a decisão do Banco do Japão sobre quando aumentar os juros, já que o país depende das importações de energia para impulsionar sua economia.
Ueda disse ao Parlamento que os salários e os preços estão aumentando moderadamente em conjunto, à medida que as empresas repassam os custos mais altos de matéria-prima e mão de obra.
"A inflação subjacente está acelerando gradualmente em direção à nossa meta de 2%", e a convergência para cerca de 2% é vista em algum momento a partir da segunda metade do ano fiscal de 2026 até 2027, disse Ueda nesta terça-feira.
"Orientaremos a política monetária de forma adequada para que o Japão alcance de forma sustentável e estável uma inflação de 2% acompanhada de ganhos salariais", disse ele.
Os comentários estão alinhados com os da primeira-ministra Sanae Takaichi, que pediu ao banco central que garanta que sua meta de inflação seja atingida não pelo aumento dos custos das matérias-primas, mas por altas salariais.
Ueda se absteve de repetir a promessa habitual do Banco do Japão de seguir aumentando os juros se a economia continuar a se recuperar.
Embora o núcleo da inflação tenha permanecido acima da meta do Banco do Japão por quase quatro anos, o banco central adotou uma abordagem cautelosa ao aumentar os juros, considerando que a inflação subjacente - ou aumentos de preços impulsionados pela demanda interna e ganhos salariais - continua abaixo de 2%.
Os críticos culparam o ritmo lento dos aumentos da taxa de juros por elevar os custos de importação ao enfraquecer o iene.
Nesta terça-feira, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, repetiu que as autoridades estão preparadas para tomar "todas as medidas disponíveis" contra os movimentos voláteis da moeda, já que o iene afundou para perto da marca psicologicamente importante de 160 por dólar.