Schwartsman: Falta clareza do efeito da desaceleração dos EUA no Brasil, mas risco fiscal preocupa
O economista, ex-diretor do BC, ressaltou que não há sinais de que a atual gestão do governo federal lidará com o problema do peso crescente dos gastos públicos na economia brasileira
O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, colunista do Estadão, avaliou que falta clareza quanto ao impacto da desaceleração da atividade dos Estados Unidos na economia brasileira, por conta da política tarifária implementada pelo presidente americano, Donald Trump. O economista ponderou que o Brasil lida com um contexto complicado do ponto de vista fiscal e da inflação.
"Uma desaceleração americana é perigosa, em certo sentido, mas esse impacto tende a ser menor pelo Brasil ser uma economia relativamente fechada", disse, no painel Cenários e Perspectivas para a Economia Brasileira na Nova Geopolítica, no evento Cenário Geopolítico e Agricultura Tropical, promovido pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) — Sistema CNA/Senar —, em parceria com o Estadão e o Broadcast, em São Paulo.
Schwartsman destacou ainda que o avanço do consumo de 2023 para cá contribuiu para pressionar os preços. Além disso, o economista observou que, nos últimos três meses, a inflação de serviços subjacentes está alta, rodando entre 6% e 6,5% no acumulado em 12 meses.
'Como é possível uma despesa negativa?'
Em relação à questão fiscal, ele considerou que não há sinais de que a atual gestão do governo federal lidará com o problema do crescente dos gastos públicos. Destacou que apenas no Brasil existe a invenção de uma "despesa negativa".
"A despesa discricionária (não obrigatória) do governo federal está sendo definida como menos do que é possível, de forma que o conjunto da despesa seja negativo. Como é que é possível uma despesa negativa? Isso só não parece impossível para nós, que temos uma regra que, supostamente, limita o gasto, mas não serve para nada", avaliou.