Salário termina antes do fim do mês para 54% dos brasileiros, aponta pesquisa
Situação já foi pior, mas cenário ainda é preocupante: apenas 25% dos trabalhadores têm alguma folga para bancar despesas extras
A velha constatação de que o salário termina antes de o mês acabar continua válida para a maioria dos brasileiros. Neste ano, 54% dos trabalhadores com registro em carteira ou que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) não têm conseguido chegar até o final do mês com o salário na conta bancária, aponta uma pesquisa sobre a saúde financeira e bem-estar do trabalhador brasileiro, realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
O resultado deste ano é o menor registrado desde o início da série da pesquisa, em 2018. Em 2024, o salário acabava antes de o mês terminar para 62% dos trabalhadores, uma diferença de oito pontos porcentuais ante 2025. Apesar do recuo, diz o CEO da SalaryFits, Délber Lage, a fatia de brasileiros que não consegue fazer frente às despesas com o salário ainda é elevada.
Para ter algum dinheiro no bolso, depois que o salário acaba, Santos passou a fazer bicos como DJ aos finais de semana. Dependendo do mês, consegue tirar entre R$ 1 mil e R$ 1,4 mil por mês. "Isso ajuda a segurar as contas."
Bicos e educação financeira
A pesquisa mostra que da parcela de 54% dos brasileiros que não conseguem chegar com o salário até o fim do mês, 49%, como Santos, utilizam fontes de renda extra para fechar as contas e não ficar no vermelho. Boa parte recorre ao uso de linhas de crédito, como cartão (23%), cheque especial (12%) e empréstimo ou utiliza renda familiar.
Também existem aqueles que trabalham dobrado, como freelancer (8%), ou ainda buscam adiantamento salarial (3%). Mas há um grupo de 5% de trabalhadores em situação ainda mais crítica. Esse grupo não chega ao fim do mês com dinheiro nem tem alternativa de renda extra.
Segundo o CEO da SalaryFits, o risco de inadimplência para quem não chega até o fim do mês com dinheiro é maior. Entre as saídas para aliviar esse problema ele aponta implementar educação financeira e oferecer melhores produtos de crédito. "É preciso buscar soluções de crédito de curto prazo para aliviar a dor momentânea, além de melhorar o poder de compra do brasileiro."
Santos, por exemplo, ficou inadimplente no passado, e agora paga um financiamento que contraiu para renegociar a dívida de cerca de R$ 2 mil por conta da compra de itens de vestuário.
Apesar do aperto, ele diz que o hoje a situação está melhor em relação à de anos atrás. No momento, Santos pretende mudar de emprego para ganhar mais e busca mais educação financeira para disciplinar os gastos, a fim de escapar do risco de inadimplência que ameaça, sobretudo, os mais vulneráveis.