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Relatório do Escritório Comercial dos EUA mantém Brasil em lista de 'lista de vigilância'

Documento do USTR informa que mais de cem parceiros comerciais foram avaliados e menciona produtos falsificados na Rua 25 de Março e desvio de sinal em serviços de streaming

30 abr 2026 - 21h01
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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou nesta quinta-feira, 30, o seu Relatório Especial 301 de 2026, que analisa a situação global da proteção e da aplicação (fiscalização) de direitos de propriedade intelectual entre os parceiros comerciais dos EUA.

O comunicado do USTR informa que mais de cem parceiros comerciais foram avaliados e que o Vietnã foi identificado como um "País Estrangeiro Prioritário". Essa designação significa que o escritório decidirá, em até 30 dias, se iniciará uma investigação com base na Seção 301 sobre as práticas de propriedade intelectual do Vietnã.

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 autoriza o governo norte-americano a investigar e adotar medidas como tarifas ou sanções comerciais contra países acusados de práticas consideradas desleais.

Relatório afirma que o Porto de Santos é um dos locais que 'continuam a ser pontos de entrada significativos para produtos falsificados'
Relatório afirma que o Porto de Santos é um dos locais que 'continuam a ser pontos de entrada significativos para produtos falsificados'
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Entre as mudanças de classificação na edição de 2026, seis países foram colocados na Lista de Vigilância Prioritária (Chile, China, Índia, Indonésia, Rússia e Venezuela), enquanto 19 parceiros comerciais estão colocados na Lista de Vigilância, entre eles o Brasil. Argentina e México saíram da "Lista de Vigilância Prioritária" para a "Lista de Vigilância", o que segundo o relatório se deve a melhorias relevantes em suas políticas de propriedade intelectual.

Em relação ao Brasil, o relatório afirma que os EUA mantêm uma preocupação de longa data com "importação, distribuição, venda e uso generalizado de mercadorias falsificadas", como consoles de jogos e streaming ilícitos. Menciona o desvio de sinal em serviços de streaming e a circulação de produtos falsificados na Rua 25 de Março, tradicional centro de comércio popular na cidade de São Paulo.

"Apesar de batidas policiais e apreensões em larga escala, a região da Rua 25 de Março continua sendo um dos maiores mercados de produtos falsificados, em parte porque as operações não são seguidas de penalidades de efeito dissuasório", afirma o relatório. "O Porto de Santos, que é o porto de contêineres mais movimentado da América Latina, e a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina também continuam a ser pontos de entrada significativos para produtos falsificados."

No documento, os EUA encorajam o Brasil a aderir, o mais rapidamente possível, à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), ao Tratado da sobre Interpretações e Execuções e Fonogramas e ao Tratado sobre o Direito ao Autor. A proteção forte aos direitos autorais representa um incentivo crucial para o investimento em inovação no país, observa o relatório.

"Os Estados Unidos instam o Brasil a garantir transparência e o devido processo legal na proteção de indicações geográficas (IGs), e a assegurar que a concessão de proteção de IG não prive as partes interessadas da capacidade de usar nomes comuns, particularmente à medida que o Brasil avança com o Acordo Comercial União Europeia (UE)-Mercosul", afirma o documento.

Estadão
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