Quem são os empresários que lideram as doações eleitorais e para quem vai esse dinheiro
Pessoas físicas já doaram R$ 246 milhões a candidatos e partidos este ano; 14 empresários desembolsaram pelo menos R$ 1 milhão
Puxadas por pesos-pesados do PIB, as doações feitas por pessoas físicas para partidos e campanhas das eleições deste ano superam a marca de R$ 246 milhões. Individualmente, até o momento, 14 empresários doaram mais de R$ 1 milhão e, com isso, lideram o ranking de doações, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que precisa dar transparência a todas receitas e despesas dos candidatos e partidos. Pela lei, pessoas físicas podem doar até 10% dos rendimentos brutos do ano anterior à eleição.
Dentre os que mais colocaram a mão no bolso até aqui está o controlador da Cosan, Rubens Ometto, que lidera a lista com um desembolso de R$ 5,75 milhões para 24 diferentes destinos, mas com o PSD sendo o maior beneficiário. O partido recebeu 35% do total doado pelo empresário. (Veja mais abaixo infográfico com os líderes em doações)
Mattar afirmou estar apoiando "predominantemente, mas não exclusivamente, candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual pelo partido Novo, de cujos valores liberais compartilha e que renunciou ao uso de verba do fundo eleitoral". Destacou também que as doações estão em conformidade com as regras da Justiça Eleitoral.
Na sequência dos maiores doadores está Heitor Vanderlei Liden, vice-presidente da Calçados Beira-Rio, com R$ 2,6 milhões doados a Roberto Argenta, o dono da empresa calçadista gaúcha e candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PSC. Outro nome que está no topo da lista dos empresários é o de Candido Botelho Bracher, com cerca de R$ 1,5 milhão distribuído entre 18 candidatos, dentre eles Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde de Bolsonaro que concorre a senador pelo Mato Grosso do Sul.
No ranking estão ainda o controlador da fabricante de calçados Grendene, Alexandre Grendene (R$ 2,5 milhão), o economista Arminio Fraga, fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central (R$ 1,4 milhão), e o industrial de Santa Catarina Ricardo Minatto Brandão (1,2 milhão).
Arminio Fraga doa para Marcelo Freixo
O principal beneficiado pelos recursos de Arminio é o candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PSB, Marcelo Freixo, com R$ 200 mil. O candidato ao Senado Alessandro Molon (PSB) e a candidata à Câmara Tabata Amaral (PSB) também receberam R$ 100 mil cada um. Arminio afirmou que as doações refletem sua "preocupação com os rumos do país". "Tenho dito a conhecidos, especialmente os mais jovens, que é hora de quebrar o porquinho e apoiar", acrescentou.
Freixo é também um dos maiores beneficiados por doações feitas pelos irmãos Walter Salles e João Moreira Salles, ex-acionistas do Itaú Unibanco. O cineasta Walter Salles desembolsou, no total, R$ 1,15 milhão, sendo R$ 100 mil para o candidato a governador no Rio de Janeiro. João Moreira Salles, documentarista, doou R$ 1,1 milhão no total.
Eleições e o mercado
Em nota, Walter e João Moreira Salles disseram que, "considerando a relevância das eleições deste ano para a democracia brasileira", ele decidiram, "em sintonia com muitos outros doadores, contribuir para candidaturas que representam causas fundamentais ao Brasil de hoje como: combate ao racismo, valorização da ciência e preservação da Amazônia."
Segundo eles, as candidaturas escolhidas para receber as doações são de todas as regiões do Brasil e estão vinculadas a diversos partidos do campo democrático. "As candidatas e candidatos não são escolhas aleatórias ou decorrentes de relações pessoais, e sim o resultado de um esforço coletivo e de consultas a grupos da sociedade. A ideia é incentivar a construção de propostas comprometidas com essas agendas e com a legitimidade em seus campos de atuação", diz a nota, informando ainda ser importante frisar que "as doações de João Moreira Salles acontecem num momento em que ele deixou de ser Publisher e controlador da Revista Piauí".
Nome famoso do mercado financeiro, Luis Stuhlberger, do Fundo Verde, repassou R$ 760 mil até o momento para 11 candidatos a deputados federais, sobretudo dos partidos Novo, PSDB e PSD. Abilio Diniz já doou R$ 786 mil, sendo R$ 400 mil desse valor distribuídos igualitariamente entre os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB). Procurado, o empresário informou que o mesmo valor, de R$ 200 mil, será doado ao candidato do PT ao governo do Estado, Fernando Haddad, o que ainda não consta no site do TSE.
Bolsonaro atrai empresários do agro
Uma das bases de suporte de Jair Bolsonaro, empresários do setor agropecuário são presença marcante entre os principais doadores do presidente em busca da reeleição. O ex-piloto Nelson Piquet, que doou R$ 500 mil à campanha, é o único fora do setor entre as pessoas físicas que mais desembolsaram a favor de Bolsonaro. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recebido doações pelo partido, sendo o seu maior doador o fundador da operadora de saúde Hapvida, o empresário Candido Pinheiro Koren de Lima.
Até o dia 26 de agosto, conforme os dados mais recentes do TSE, o principal doador de Bolsonaro é Oscar Luiz Cervi, empresário do agronegócio do Mato Grosso, que desembolsou R$ 1 milhão. Piquet segue em segundo lugar, com R$ 500 mil. Ao também doar R$ 500 mil, o pecuarista de Mato Grosso Celso Gomes dos Santos, conhecido como Celso Bala, é mais um nome do agro que colocou a mão no bolso para apoiar a reeleição de Bolsonaro. O pecuarista, conhecido na região como o "Rei do Gado", se encontrou recentemente com Bolsonaro em Brasília, quando presenteou o presidente com um "óleo ungido".
No caso do ex-presidente Lula, as doações partindo de pessoas físicas têm se concentrado no próprio partido. O maior doador é Candido Pinheiro Koren de Lima, com R$ 100 mil. Ao todo, os membros da família fundadora da Hapvida repassaram R$ 1,25 milhão ao PT. Eles, no entanto, também doaram R$ 500 mil ao PSDB e R$ 1,25 milhão ao MDB.
Procurados, Alexandre Grendene, Luis Stuhlberger, Candido Pinheiro Koren de Lima não quiseram comentar o assunto. A reportagem não conseguiu contato com Ricardo Minatto Brandão, Candido Bracher, Oscar Luiz Cervi e Celso Gomes dos Santos.