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Quase 60 milhões vivem em cidades brasileiras com desenvolvimento baixo ou crítico

Levantamento da Firjan apontou a existência de 249 municípios em estágio de desenvolvimento crítico e 2.376 em desenvolvimento considerado baixo

8 mai 2025 - 13h04
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RIO - Quase metade (47,3%) dos municípios brasileiros estão enquadrados em estágios de desenvolvimento socioeconômico baixo ou crítico, somando 57 milhões de pessoas vivendo sob essas condições, segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgado nesta quinta-feira, 8.

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com dados oficiais referentes ao ano de 2023, apontou a existência de 249 municípios em estágio de desenvolvimento crítico e 2.376 em desenvolvimento considerado baixo. Havia outros 2.699 municípios com desenvolvimento moderado (48,1% do total nacional) e 256 apresentavam alto nível de desenvolvimento (apenas 4,6% de todos os existentes no País).

O estudo avaliou 5.550 municípios, que juntos cobriam 99,96% da população brasileira. O Índice de Desenvolvimento Municipal mensura o desenvolvimento humano a partir de três eixos: Emprego & Renda, Saúde e Educação. O resultado é calculado numa escala de 0 a 1, sendo maior o desenvolvimento quanto mais próximo de 1.

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Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

"23 anos de atraso"

A pontuação média brasileira no estudo é de 0,6067 ponto, o equivalente a um desenvolvimento moderado. No entanto, o País segue dividido em dois extremos de desigualdade: as regiões Norte e Nordeste possuem 87% de seus municípios com desenvolvimento baixo ou crítico, enquanto o Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm 80% de seus municípios com desenvolvimento alto ou moderado.

"Entre esses dois grupos, a gente pode falar que a gente tem 23 anos de atraso. Então, é como se esses municípios estivessem ainda no século passado. Os municípios com desenvolvimento crítico revelam que a gente tem uma discrepância significativa em termos de desenvolvimento comparado com os municípios que possuem alto desenvolvimento", afirmou Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan.

Houve melhora no País em uma década. A média nacional do IFDM cresceu 29,8%, devido a avanços em 99% dos municípios. A evolução foi mais acelerada no interior do País. Os municípios com até 20 mil habitantes apresentaram crescimento maior do que as cidades grandes, com mais de 100 mil habitantes. Na direção oposta, 55 cidades registraram retrocesso no índice de desenvolvimento entre 2013 e 2023.

"A gente percebe sim que tem diversos municípios no Brasil que evoluíram ao longo da última década. A gente poderia destacar até o Centro-Oeste do país, com desenvolvimento puxado, principalmente, pelo setor do agronegócio, que transbordou também para indicadores de educação e saúde", disse Goulart. "Na última década, o interior evoluiu mais. Isso é muito explicado porque estão nas faixas mais baixas de desenvolvimento, e os municípios da capital acabam tendo um nível de desenvolvimento mais alto. Então a gente percebe que essa interiorização do desenvolvimento pode ser explicada também porque eles estão nas faixas mais baixas do ranking, nas faixas mais baixas de desenvolvimento."

Índices

Entre 2013 e 2023, as três vertentes do índice contribuíram para melhorar o IFDM do País. O índice de Educação teve o maior crescimento, alta de 52,1%, passando de 0,4166 ponto em 2013, quando era a variável com pior pontuação, para 0,6335 em 2023, tornando-se o componente de melhor desempenho. O índice de Saúde aumentou 29,8%, de 0,4626 ponto para 0,6002 ponto em uma década, enquanto o índice de Emprego & Renda subiu 12,1%, de 0,5231 em 2013 para 0,5864 ponto em 2023.

"Essa trajetória de desenvolvimento disseminado resultou em redução de 87,4% no número de municípios com desenvolvimento crítico, que passou de 1.978 em 2013 para 249 em 2023", observou o estudo da Firjan.

No quesito Educação, 56,1% das cidades registraram desenvolvimento moderado; 7,2%, alto desenvolvimento; 32,5%, baixo desenvolvimento; e em 4,1%, o cenário era crítico. Nos municípios com desenvolvimento crítico, 57% das turmas do Ensino Fundamental não eram ministradas por professores com formação adequada, ante uma fatia de 23% nos municípios com alto desenvolvimento. Apenas 19% das crianças de até três anos estavam matriculadas em creches nos municípios críticos, ante uma proporção de 53% nos municípios de alto desenvolvimento.

No quesito Saúde, 53,2% dos municípios registravam desenvolvimento moderado; 39,1%, baixo desenvolvimento; 5,8%, desempenho crítico; e apenas 1,9% tinham alto desenvolvimento. Havia, em média, apenas um médico para cada dois mil habitantes nas cidades críticas, ante sete médicos a cada dois mil habitantes nas cidades com alto desenvolvimento. Nos municípios críticos, as internações por saneamento inadequado a cada dez mil habitantes somavam 74 pacientes, ante apenas quatro ocorrências nas cidades mais desenvolvidas. Nas cidades críticas, 41% das gestações eram de adolescentes, ante uma proporção de 12% nas cidades de alto desenvolvimento.

No quesito Emprego & Renda, 20,3% das cidades tinham alto nível de desenvolvimento; 27,0%, moderado; 27,5%, baixo; e 25,2%, crítico. Nas cidades críticas, 9,3% da população adulta possuíam emprego formal, ante uma fatia de 39,4% nos municípios de alto desenvolvimento. Nos municípios críticos, 67,9% dos empregos formais eram na administração pública, ante uma fatia de 10,6% nos municípios de alta performance.

As cinco cidades com os melhores resultados no IFDM geral foram Águas de São Pedro (SP), 0,8932 ponto; São Caetano do Sul (SP), 0,8882 ponto; Curitiba (PR), 0,8855 ponto; Maringá (PR), 0,8814 ponto; e Americana (SP), 0,8813 ponto. Por outro lado, os piores avaliados foram Ipixuna (AM), 0,1485 ponto; Jenipapo dos Vieras (MA), 0,1583 ponto; Uiramutã (RR), 0,1621 ponto; Jutaí (AM), 0,1802 ponto; Santa Rosa do Purus (AC), 0,1806 ponto.

Estadão
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