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Puxadas pela Petrobras, estatais começam a dar sinais preocupantes na gestão e na governança

Além da interferência nas empresas e da nomeação de políticos e velhos "companheiros" para cargos de direção, Lula "ressuscita" estatais que estavam desativadas e lança Arrozbras e Internetbras

23 jun 2024 - 03h10
(atualizado às 07h37)
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Resumo
Estatais brasileiras começam a apresentar sinais preocupantes na economia. Petrobras se destaca neste cenário.
Petrobras divulgou resultado de concurso público de nível técnico com salário inicial de R$ 5,8 mil.
Petrobras divulgou resultado de concurso público de nível técnico com salário inicial de R$ 5,8 mil.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Por seu gigantismo e sua visibilidade, a Petrobras é um exemplo emblemático dos rumos que vem sendo dados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva às estatais, enquanto ele tenta viabilizar em outras frentes o revogaço das mudanças implementadas de 2016 a 2022 para conter a atuação do Estado empresário.

Embora a Petrobras tenha autonomia de gestão, Lula age como se fosse dono da empresa, dando pitacos na política de preços dos combustíveis, nos investimentos, na distribuição de dividendos e em tudo o mais que envolva a petroleira, símbolo maior do estatismo nacional.

"O presidente já falou um milhão de vezes que, tanto em relação à política de preços quanto em relação à política de investimentos da Petrobras, sendo uma empresa estratégica, ele vai atuar como o controlador", disse recentemente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à CNN Brasil.

Lembrando os tempos em que o governo se metia no mercado de alimentos, controlando preços na canetada, na década de 1980, Lula forçou a realização de um leilão, que acabou anulado por suspeita de irregularidades, para compra de quase 300 mil toneladas de arroz importado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), já rebatizada nas redes sociais de Arrozbras. O objetivo alegado pelo governo era conter uma suposta alta de preços provocada pela falta do produto - negada pelos produtores gaúchos - em razão das cheias que atingiram o Rio Grande do Sul.

Chip do boi

Mesmo depois do fracasso do primeiro leilão, que levou à demissão do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, suspeito de envolvimento nas irregularidades, o governo não desistiu da compra do arroz importado. A ideia é vender o produto diretamente para supermercados, com preço tabelado em R$ 4 por quilo - um valor menor do que o preço médio cobrado hoje do consumidor - em uma embalagem com a logomarca do governo federal.

Depois de "ressuscitar" Ceitec, mais conhecida como "a empresa do chip do boi", que estava em processo de liquidação, por nunca ter dado lucro desde a sua fundação, em 2008, Lula agora pretende criar uma espécie de Internetbras. Com a retirada de uma proposta do Ministério da Educação para contratar a Starlink, do empresário Elon Musk, para oferecer um sistema de acesso à internet por satélite a escolas localizadas em áreas remotas, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) decidiu incumbir a Telebras de oferecer o mesmo serviço. Detalhe: hoje, a Starlink é a única empresa do mundo que tem uma rede de satélites capaz de atender a necessidade do governo com conexão de alta velocidade.

Estadão
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