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Profissionais esperam queda de dólar e taxas dos DIs nesta quinta-feira após Copom unânime

19 jun 2024 - 20h09
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A decisão unânime do Comitê e Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica Selic em 10,50% ao ano abre espaço para uma recuperação dos ativos brasileiros na quinta-feira, conforme profissionais ouvidos na noite desta quarta-feira pela Reuters.

A expectativa é de que as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) e o dólar caiam, enquanto o Ibovespa encontre um ambiente mais favorável para avançar, disseram eles.

Essa percepção positiva para a quinta-feira está apoiada principalmente no fato de que todos os nove dirigentes do Banco Central votaram pela manutenção da Selic nesta quarta-feira, ao contrário do que ocorreu na reunião anterior do Copom, em maio, quando cinco integrantes votaram por corte de 25 pontos-base e quatro defenderam redução de 50 pontos-base.

A unanimidade nos votos e a manutenção da Selic vieram dentro do que o mercado demandava.

O economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano, destacou ainda o fato de o BC indicar em seu cenário alternativo, no qual a Selic fica constante em 10,50%, que a projeção de inflação para 2025 está em 3,1% -- muito próxima da meta de 3% perseguida pela instituição. No cenário de referência, com trajetória da Selic extraída do relatório Focus, a projeção de inflação é de 3,4%.

"Isso sugere que o BC ficará parado monitorando por um tempo e eventualmente, entre o fim deste ano e o segundo trimestre do ano que vem, pode ter uma janela para voltar a cortar a Selic", avaliou Serrano. "E nos dois cenários que o BC apresentou, a régua para subir juros também é alta. Então, o mercado tem que limpar prêmios de curto prazo na curva", acrescentou.

Serrano afirma que, caso não surjam novos fatores negativos no exterior ou mesmo no Brasil, a tendência é de queda das taxas na curva a termo, principalmente nos contratos de curto prazo. Nos vencimentos longos, a queda pode ser menor em função da preocupação persistente com o equilíbrio fiscal.

Para Victor Scalet, estrategista Macro da XP, haverá "alguma descompressão" dos prêmios de risco, justamente porque não houve decisão dividida ou que pudesse ser interpretada como sinal de que o BC estava cedendo às pressões políticas.

"Tirando isso um pouco da mesa, tanto o DI deve causar o fechamento de taxas quanto (deve haver) algum alívio do dólar. Agora, o tamanho é difícil de estimar, porque não é conta sobre política monetária, é redução do prêmio de risco", ponderou.

"Para o DI, espero queda de 10 ou 15 pontos-base no que a gente chama de 'barriga da curva', até o (contrato para) janeiro 2026. Para o dólar, (espero) alguma abertura um pouco melhor que os pares", acrescentou Scalet.

Para o economista-chefe na Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo, o fato de o BC ter citado no comunicado da decisão que optou por "interromper" o ciclo de cortes -- e não por "encerrar" -- indica de fato que a instituição pode voltar em algum momento a reduzir a Selic.

"Também foi maravilhoso ter sido por unanimidade, porque houve muito ruído ontem (terça-feira)", afirmou, lembrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas duras ao presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Espirito Santo pontuou que no fim da sessão desta quarta, com a proximidade do Copom, já houve certa melhora dos ativos brasileiros, o que deve continuar na quinta.

"No fim do dia o dólar já tinha zerado e os juros futuros haviam desacelerado. A bolsa fechou com o índice alto. Isso é prenúncio de que o dia amanhã será de menos estresse", completou.

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