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Produção de açúcar cai apesar de moagem histórica no CS; preço dispara na ICE

9 ago 2019
11h24
atualizado às 13h45
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A produção de açúcar do centro-sul do Brasil na segunda quinzena de julho somou 2,478 milhões de toneladas, queda de 5,5% ante o mesmo período do ano passado, apesar de uma moagem histórica de cana, com as usinas destinando mais cana para a fabricação de etanol, que tem remunerado mais.

Plantação de cana-de-açúcar em São Martinho, em Pradópolis
13/09/2018
REUTERS/Paulo Whitaker
Plantação de cana-de-açúcar em São Martinho, em Pradópolis 13/09/2018 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

A moagem aumentou 4,25% na segunda quinzena, para 49,7 milhões de toneladas, com o tempo seco favorecendo os trabalhos no pico da colheita da principal região produtora de cana do mundo, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta sexta-feira.

A Unica afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que no passado o setor já registrou moagem de 50 milhões de toneladas em uma quinzena, mas com 12 usinas a mais em operação --muitas unidades têm sido fechadas por problemas financeiros-- o que ressalta o volume processado.

Em meio às notícias sobre a produção no maior exportador global, os preços do açúcar bruto na bolsa ICE chegaram a subir quase 4%.

Já a produção de etanol do centro-sul no período somou 2,65 bilhões de litros na última quinzena de julho, alta de 0,97% ante o mesmo período do ano passado.

As usinas do centro-sul destinaram 37,04% de cana para a produção de açúcar na segunda quinzena de julho, ante 38,35% no mesmo período do ano passado. Já o mix para o etanol subiu para 62,96%.

Nesta semana, a consultoria FCStone projetou que o mix para o açúcar terá mínima histórica na safra 2019/20, em 34,7%. No acumulado da temporada até o final de julho, a quantidade de cana para açúcar está em 35,31%, informou Unica.

O diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, ponderou que, apesar do avanço na quinzena, "a moagem permanece atrasada no acumulado da safra."

Até 1º de agosto, a quantidade de cana processada segue 2,75% abaixo daquela observada no ciclo 2018/2019, em 307,81 milhões de toneladas.

"Essa retração reflete a moagem no Estado de São Paulo, principal polo produtor de cana-de-açúcar do país, onde segue defasada em mais de 10 milhões de toneladas", disse Rodrigues em nota. Até o momento, o volume processado no Estado somou 179,51 milhões de toneladas.

Pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) citada pela Unica indicou uma produtividade agrícola de 83,78 toneladas por hectare entre abril a julho de 2019, ante 81,30 toneladas por hectare até a mesma data do ciclo 2018/2019.

Apesar da melhora na produtividade, a matéria-prima tem vindo com qualidade inferior.

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) disponível para conversão em açúcar e em etanol apresenta queda de 4,3% ante a safra passada, para 128,74 kg por tonelada até o final de julho.

Na 2ª quinzena de julho, o indicador totalizou 141,30 kg por tonelada, contra 150,53 kg no mesmo período do ano anterior.

"Essa redução de quase 10 kg na qualidade da matéria-prima deve-se, em parte, à geada que atingiu cerca de 400 mil hectares de canaviais no centro-sul", destacou Padua.

O fenômeno obrigou muitas unidades a colherem a lavoura afetada mesmo antes da planta atingir seu estágio ideal de maturação, explicou.

VENDAS EM ALTA

No acumulado desde safra 2019/2020, a produção de açúcar recuou quase 10%, para 13,33 milhões de toneladas.

Quanto ao etanol, o volume fabricado totalizou no acumulado da safra 15,48 bilhões de litros (4,79 bilhões de litros de etanol anidro e 10,69 bilhões de litros de etanol hidratado), queda de 4%.

Se a produção está em queda, as vendas continuam fortes. No mercado doméstico, a comercialização de etanol hidratado atingiu 1,94 bilhão de litros em julho, alta de 12,9% sobre o mesmo mês de 2018.

As vendas do combustível, concorrente da gasolina no Brasil, somaram 7,66 bilhões de litros no acumulado da safra até julho, aumento de cerca de 25% ante a temporada passada.

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