Presidente do México diz que pode trabalhar com Canadá e outros países em resposta às tarifas
Claudia Sheinbaum afirmou que conversará nesta sexta com o presidente dos EUA; México vive suspense sobre possibilidade de as tarifas serem reduzidas ou ajustadas
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta quarta-feira, 5, que o país deve trabalhar em conjunto com o Canadá e outros países para uma resposta tarifária contra os Estados Unidos.
"É um momento muito definitivo para o México e não haverá submissão, somos um grande país. Vamos seguir as circunstâncias e buscar o Canadá e outros países", declarou em entrevista à imprensa.
A presidente mexicana ainda afirmou que conversará nesta sexta, "provavelmente pela parte da manhã", com o presidente dos EUA, Donald Trump.
O México está em suspense sobre será que as tarifas de podem ser reduzidas ou ajustadas. Na fronteira norte do México, os líderes do setor de transportes falam sobre a lentidão das atividades alfandegárias. Os investidores permanecem cautelosos e Sheinbaum está aguardando um diálogo com seu homólogo norte-americano, enquanto as ligações com as autoridades dos EUA se multiplicam.
Os mexicanos estão esperando por um possível acordo que ambos os governos deram a entender que poderia se concretizar. "O secretário de comércio (dos EUA) já estava procurando um esquema de acordo... um esquema diferente", acrescentou Sheinbaum.
Em entrevista à Bloomberg Television, o secretário Howard Lutnick disse que poderia haver isenções em alguns setores das tarifas gerais de 25% impostas no dia anterior ao Canadá e ao México e mencionou que uma área isenta poderia ser a de automóveis, um dos setores com maior impacto nas relações comerciais.
Na terça-feira, em outra entrevista, desta vez com a rede Fox, Lutnick indicou que era possível chegar a um meio-termo com o México, mesmo sem suspender as taxas que haviam entrado em vigor no início do dia e que foram rebatidas pelo Canadá e pelo México com o anúncio de tarifas recíprocas e possíveis ações legais por violar o acordo de livre comércio da América do Norte.
O governo dos EUA, que também dobrou as tarifas sobre a China, alegou que as medidas pretendem impedir o tráfico de fentanil — uma das drogas mais mortíferas e lucrativas — mas Trump também sugeriu que as tarifas procuram eliminar os persistentes déficits comerciais de seu país.
Sheinbaum não quis comentar especificamente sobre a possibilidade de o setor automotivo estar entre os isentos das tarifas de Trump e insistiu em esperar por anúncios oficiais da Casa Branca ou por uma ligação planejada com o presidente.
Ela acrescentou que, no domingo, na principal praça do país — o Zócalo, na Cidade do México —, informará o país sobre as medidas que tomará. A possibilidade de uma guerra comercial está mantendo os mercados globais em alerta e é motivo de grande preocupação devido ao seu enorme impacto sobre as economias que estão intimamente interconectadas. Mais de 80% das exportações do México vão para os Estados Unidos, com os quais o fluxo comercial gira em torno de US$ 840 bilhões por ano.
"Fizemos nossa lição de casa e nem sequer fechamos as portas para o diálogo", enfatizou Sheinbaum. Ela disse que neste mês foram feitos "muitos acordos" com Washington, mas, mesmo assim, há uma decisão "unilateral" do vizinho do norte. "Não é nossa responsabilidade, é a decisão do presidente dos Estados Unidos.
Ela enviou várias mensagens nas redes sociais pedindo união e calma aos mexicanos e disse que o Canadá e outros países também seriam contatados para lidar com a nova situação. Também mencionou que o presidente chileno, Gabriel Boric, já havia expressado sua solidariedade em um telefonema na terça-feira.
Na fronteira, um dia após a decisão de Trump, a coisa mais visível foi a redução das passagens de caminhões. "Os maiores escritórios alfandegários na fronteira norte do México registram silêncio absoluto", escreveu Israel Delgado, líder de transporte no noroeste do México, no X, na noite de terça-feira. "A guerra tarifária está sendo vista e sentida com a redução brutal de cargas para os Estados Unidos."/Com AP