Prefixado com cupom semestral por meio de ETFs: veja como funciona
O ETF NTNF11, da Investo, aplica em títulos públicos prefixados com juros semestrais (NTN-Fs) e surge como opção diante da expectativa de corte da Selic. O fundo permite lucrar com a marcação a mercado se as taxas caírem, além de repassar cupons semestrais aos cotistas. Contudo, o investidor deve atentar ao risco de reinvestir esses proventos a taxas menores e à volatilidade caso os juros subam, o que desvaloriza os papéis. Com taxa de 0,35% ao ano, o ETF tem alíquota de 15% de IR sobre os cupons.
Com a Selic em 13,75% ao ano e o mercado de olho na continuidade do ciclo de cortes, os títulos prefixados voltam ao radar dos investidores que buscam capturar uma eventual queda dos juros. Nesse cenário, além da taxa contratada, a valorização dos papéis pela marcação a mercado pode contribuir para o retorno da carteira.
Uma das alternativas para acessar essa estratégia é o NTNF11, ETF da Investo que investe em títulos públicos prefixados com juros semestrais, as chamadas NTN-Fs. O fundo acompanha o Índice B3 Tesouro Prefixado Juros e possui uma carteira dinâmica, que pode alterar sua exposição entre diferentes vencimentos da curva prefixada conforme as condições do mercado.
A estrutura, porém, traz uma particularidade que merece atenção: os títulos pagam cupons a cada seis meses. Em um ciclo de queda dos juros, o que o investidor faz com esse dinheiro pode ter impacto relevante sobre o retorno acumulado da estratégia.
Por que o prefixado pode se beneficiar da queda dos juros?
A lógica por trás da estratégia é conhecida no mercado de renda fixa. Quando as taxas futuras caem, os títulos prefixados que já estão na carteira, com taxas contratadas anteriormente, tendem a se valorizar.
Isso acontece porque um papel que oferece uma remuneração maior se torna mais atrativo quando comparado aos novos títulos emitidos em um ambiente de juros menores.
É o efeito da marcação a mercado. O investidor que vender o ativo antes do vencimento pode capturar essa valorização, embora o movimento também possa ocorrer no sentido contrário caso as taxas subam.
Para o NTNF11, essa dinâmica é especialmente relevante porque o ETF concentra sua exposição em NTN-Fs e busca acompanhar os movimentos da curva de juros prefixados.
Diferencial está nos cupons semestrais
As NTN-Fs têm uma característica que diferencia a estratégia de outros títulos prefixados: o pagamento de juros semestrais.
A taxa de cupom padronizada é de 10% ao ano, com pagamentos equivalentes a aproximadamente 4,88% do valor nominal do título a cada seis meses. O percentual, entretanto, não representa uma rentabilidade de 10% sobre o valor efetivamente investido, já que o preço do título varia de acordo com as taxas de mercado.
No caso do NTNF11, os cupons gerados pelos títulos da carteira são distribuídos aos cotistas.
Isso cria uma diferença importante para o investidor. Ao receber o pagamento, ele precisa decidir se transforma aquele valor em renda ou se o reinveste, e essa escolha pode mudar o resultado final da estratégia.
Reinvestimento ganha importância com a queda dos juros
Em um cenário de juros estáveis, o investidor que recebe um cupom pode encontrar condições relativamente semelhantes para reaplicar o dinheiro.
Em um ciclo de queda, a situação é diferente. O título comprado anteriormente continua carregando sua remuneração contratada, enquanto os novos investimentos passam a ser feitos às taxas disponíveis naquele momento. Se os juros continuarem recuando, a tendência é que essas novas taxas também sejam menores.
Isso cria uma dinâmica de dois lados para o investidor do NTNF11. De um lado, a queda dos juros pode favorecer a valorização dos títulos que estão na carteira. De outro, os cupons recebidos ao longo do caminho terão de ser reinvestidos em um ambiente de taxas potencialmente mais baixas.
O que muda para quem reinveste os cupons?
Para o investidor que utiliza os pagamentos semestrais como renda, o cálculo é relativamente direto: os cupons representam um fluxo de caixa periódico e podem ser utilizados conforme a necessidade.
Para quem está acumulando patrimônio, entretanto, deixar o dinheiro fora da carteira significa interromper a capacidade daquele capital de gerar novos retornos.
O reinvestimento permite que os cupons voltem a trabalhar, ampliando o efeito dos juros compostos. Mas existe um detalhe importante: o reinvestimento não garante a mesma taxa obtida pela posição original.
Imagine um investidor que entrou em uma estratégia prefixada quando os juros estavam mais altos. Se a curva cair ao longo dos anos, o título original pode se valorizar, mas os cupons recebidos nesse período precisarão ser aplicados às novas condições de mercado.
Quanto mais rápida for a queda dos juros, maior pode ser a diferença entre a taxa disponível no momento da compra e aquela encontrada no momento do reinvestimento.
O que analisar?
Por isso, a análise do NTNF11 em um ciclo de queda dos juros precisa considerar diferentes componentes.
O primeiro é a marcação a mercado dos títulos da carteira. Se as taxas prefixadas recuarem, os papéis tendem a se valorizar.
O segundo são os cupons semestrais, que representam uma parcela do retorno distribuída ao investidor.
O terceiro é justamente o reinvestimento desses pagamentos. Dependendo das taxas disponíveis no mercado, o dinheiro poderá voltar para a carteira a uma remuneração maior ou menor do que aquela observada no início da estratégia.
Há ainda a própria gestão da carteira do ETF. Como o NTNF11 acompanha um índice que faz rebalanceamentos mensais entre diferentes vencimentos, sua exposição à curva pode mudar conforme as condições do mercado.
A Investo cobra taxa de administração de 0,35% ao ano pelo ETF. A gestora também informa tributação de 15% sobre os cupons desde o início da aplicação, além da ausência de come-cotas e IOF.
Queda de juros não significa ganho garantido
Apesar do potencial de valorização dos prefixados, a estratégia envolve risco de mercado. Se as expectativas para a inflação, a política fiscal ou a política monetária piorarem e as taxas futuras subirem, os títulos prefixados podem perder valor no mercado secundário.
Esse risco é particularmente importante para quem pretende vender as cotas antes do vencimento. A marcação a mercado pode produzir oscilações relevantes mesmo quando a taxa contratada dos títulos permanece inalterada.
Por outro lado, para um investidor que aposta na queda dos juros e aceita a volatilidade do caminho, a combinação entre valorização dos títulos e recebimento dos cupons pode tornar o NTNF11 uma alternativa para capturar esse movimento.
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