Possível acordo entre EUA e Irã impulsiona bolsas e reduz pressão sobre juros
Segundo fontes ligadas ao G7, a assinatura pode acontecer no domingo (14)
Segundo fontes ligadas ao G7, um memorando de entendimento entre Washington e Teerã está sendo finalizado para assinatura no domingo, em Genebra. A agência estatal iraniana Mehr reforçou as expectativas ao divulgar detalhes do rascunho em discussão, que prevê cessar-fogo imediato e permanente.
Os mercados globais encerram a semana em forte clima de otimismo após uma reviravolta nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Depois de ameaçar novos ataques ao longo da quinta-feira (11), o presidente Donald Trump afirmou ter suspendido a ofensiva militar e declarou que um “excelente acordo” para encerrar a guerra poderá ser assinado já neste fim de semana.
Segundo fontes ligadas ao G7, um memorando de entendimento entre Washington e Teerã está sendo finalizado para assinatura no domingo, em Genebra. A agência estatal iraniana Mehr reforçou as expectativas ao divulgar detalhes do rascunho em discussão, que prevê cessar-fogo imediato e permanente, inclusive no Líbano, retomada das negociações diplomáticas e um cronograma de 60 dias para tratar do programa nuclear iraniano e da suspensão de sanções americanas.
Caso seja confirmado, o entendimento representará o avanço diplomático mais significativo desde o início do conflito, há três meses, e reduzirá um dos principais focos de tensão que vinham pressionando os mercados globais e os preços da energia.
A mudança de cenário provocou uma forte queda do petróleo. Os preços dos contratos futuros recuam mais de 3% nesta sexta-feira, ampliando as perdas da véspera. O Brent/agosto cai 3,37%, cotado a US$ 87,33 e o WTI/julho cede 3,49%, a US$ 84,65.
A notícia também desencadeou uma rápida reprecificação dos ativos financeiros. Os mercados passaram a reduzir as apostas em novos aumentos de juros nos Estados Unidos e a enxergar mais espaço para cortes no Brasil.
No mercado doméstico, a combinação entre petróleo mais barato e menor percepção de risco global levou os investidores a retomarem as apostas em um corte da Selic já na reunião da próxima semana. Segundo cálculos do BMG, a probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual saltou de cerca de 30% para 60% em apenas um dia, enquanto a projeção para a taxa básica ao fim de 2026 recuou de 15,05% para 14,80%.
O movimento reforça a percepção de que uma eventual descompressão dos preços de energia pode aliviar parte das pressões inflacionárias que vinham preocupando bancos centrais ao redor do mundo, abrindo espaço para uma postura menos restritiva da política monetária nos próximos meses.
No noticiário corporativo, a atenção se volta para a estreia da SpaceX na Nasdaq. A empresa de Elon Musk levantou cerca de US$ 75 bilhões em seu IPO, o maior da história, após registrar demanda estimada em US$ 250 bilhões. Avaliada em aproximadamente US$ 1,77 trilhão, a companhia passa a figurar entre as sete maiores dos Estados Unidos.
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