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Por que o mercado exibe pouco otimismo apesar dos avanços da economia no 1º trimestre

O gasto público é tratado pela política presidencial como estimulante indispensável ao crescimento e à inclusão dos pobres e pressionado pelos interesses do PT em relação às eleições de 2026

15 mai 2025 - 15h28
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Com mais empregos e maior atividade em todos os grandes setores, a economia avançou no primeiro trimestre, mas com inflação anual em torno de 5,5% e perspectiva de contas federais ainda esburacadas, apesar do superávit primário de R$ 54,5 bilhões nos três primeiros meses ao ano. Esse resultado é mais que o dobro do obtido em igual período de um ano antes, R$ 20,2 bilhões.

Até dezembro, o governo central deverá acumular um déficit primário — sem inclusão dos juros — de 64,2 bilhões, segundo projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado mas sem subordinação técnica ou política.

O rombo fiscal estimado para 2025 equivale a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para o ano. Para 2026 calcula-se um buraco de R$ 128 bilhões, próximo de 1% do valor produzido.

O ministro da Fazenda tenta conter a despesa, buscando equilibrar as finanças federais, mas para isso precisa da cooperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Interesses do governo dificultam a tarefa do Ministério da Fazenda de conter as despesas
Interesses do governo dificultam a tarefa do Ministério da Fazenda de conter as despesas
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Na política presidencial, no entanto, o gasto público é tratado como estimulante indispensável ao crescimento e à inclusão dos grupos pobres. Além disso, a despesa federal é pressionada também pelos interesses do PT em relação às eleições de 2026.

Por enquanto, o cenário de crescimento é favorável ao governo. A produção industrial aumentou 1,9% no primeiro trimestre e 3,1% em 12 meses.

De janeiro a março o setor de serviços avançou 2,4% e em 12 meses produziu 3% mais que no período anterior.

O volume vendido pelo comércio varejista expandiu-se 1,2% nesse início de ano e 3,1% em 12 meses, sinalizando melhora nas condições de consumo de grande parte da população.

No campo, o cenário também é positivo, com novo recorde estimado para a safra de grãos, oleaginosas e leguminosas: 328,4 milhões de toneladas, volume 12,2% maior que o do ano agrícola anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses números apontam cenário positivo tanto para o consumo das famílias brasileiras quanto para o volume das exportações.

Os dados positivos estimados para todos os grandes setores são insuficientes, no entanto, para sustentar previsões de crescimento muito acima do ritmo dominante nos últimos dez ou quinze anos.

As expectativas do mercado financeiro têm melhorado nas últimas semanas, mas lentamente. No boletim Focus divulgado na segunda-feira, 12, a mediana das projeções apontou expansão de 2% para o PIB, neste ano, e de 1,7% em 2026. Para 2025 a inflação projetada ficou em 5,5%, pouco abaixo da registrada um mês antes.

As melhoras da economia parecem ainda insuficientes para motivar maior otimismo entre os investidores e operadores do mercado — ou, talvez, para mudar suas expectativas quanto à orientação do governo.

Estadão
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