PIB: Brasil precisa aumentar a produtividade para crescer de forma sustentável
Caminho passa por melhorar a qualidade da educação, investir em infraestrutura, ampliar a abertura comercial e simplificar o sistema tributário
Depois de três anos com crescimento superior a 3%, o PIB brasileiro voltou a desacelerar em 2025, fechando o ano com alta de 2,3%, um movimento que já vinha sendo antecipado por indicadores de atividade e que agora é confirmado pela série anual.
A perda de fôlego da economia brasileira é reflexo, basicamente, da política monetária restritiva. Com a Selic na casa dos 15% por um período tão prolongado, o crédito fica mais caro e afeta diretamente a decisão de investimento das empresas.
Apesar de o Banco Central ter sinalizado cortes na Selic a partir de março, os juros ainda elevados vão continuar exercendo um efeito negativo sobre a atividade econômica. Por outro lado, medidas de estímulo à economia (como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, que deve ter impacto de cerca de 0,2 ponto percentual no PIB de 2026) devem evitar uma desaceleração mais intensa daqui para frente. Nossa projeção é que o PIB cresça 1,7% neste ano e no ano que vem.
Isso significa que estamos longe de um quadro de recessão. O que observamos hoje é uma acomodação: a formação bruta de capital fixo registrou queda de 3,1% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, refletindo o impacto dos juros, mas outros vetores seguem sustentando a atividade. O consumo do governo subiu 3,6%. A agropecuária, com safras recordes e expansão de 12,1% sobre uma base já elevada, e a indústria extrativa, também em forte crescimento (de 12%), impulsionaram as exportações e ajudaram a compensar a perda de dinamismo do investimento privado.
Importante destacar, porém, que a desaceleração do PIB não foi suficiente para esfriar o mercado de trabalho. A taxa de desemprego está em 5,1%, no menor nível da série histórica e bem abaixo da média brasileira, que gira em torno de 10%. Com mais pessoas empregadas e renda em alta, o consumo das famílias segue sustentando a demanda.
Esse cenário nos leva a uma antiga - mas necessária - discussão sobre PIB potencial, que representa o quanto uma economia consegue crescer sem gerar inflação. Ele pode ser estimado pelo crescimento da força de trabalho e pelo avanço da produtividade.
Quando o PIB cresce acima do potencial por muito tempo, a economia passa a operar além de sua capacidade, pressionando salários e preços. Foi o que ocorreu nos últimos anos: desde 2021, o crescimento tem superado o potencial e, por isso, a inflação permaneceu acima da meta.
O problema central é que a produtividade brasileira está praticamente estagnada. Em 2024, segundo dados da FGV, a produtividade do trabalho avançou apenas 0,2%, apesar de a economia ter crescido mais de 3%. É um quadro que se repete há mais de uma década. Como a produtividade é um dos principais componentes do PIB potencial, sua estagnação limita a capacidade de o País crescer de forma saudável.
Além disso, o Brasil está envelhecendo. Com menos pessoas ingressando na força de trabalho ao longo do tempo, o crescimento potencial tende a diminuir ainda mais se a produtividade não avançar. Para crescer de forma sustentável, sem inflação elevada, o País precisa elevar sua eficiência. Isso passa por melhorar a qualidade da educação, investir em infraestrutura, ampliar a abertura comercial e simplificar o sistema tributário.
Enfrentar essa agenda é essencial para que o Brasil possa conviver com crescimento do emprego, aumento da renda e estabilidade de preços por muitos anos. Sem ganhos consistentes de produtividade, continuaremos crescendo com desequilíbrios, o que vai trazer custos para o País e exigir freios ocasionais da política monetária.